Chegou à redacção da Revista Repórter X a informação sobre as jornadas informativas sobre prevenção de acidentes de trabalho, uma iniciativa da Embaixada de Portugal em Berna e da rede consular na Suíça.
A 1.ª sessão terá lugar em Berna, no dia 14 de Março, às 16h00, nas instalações do sindicato UNIA, na Weltpoststrasse 20, 1.º andar, 3015 Berna.
O programa prevê:
15h45 – Recepção dos participantes
16h00 – Abertura da sessão pela presidente do UNIA, Vania Alleva, seguida de introdução ao tema pelo Embaixador de Portugal, Júlio Vilela
16h20 – Mesa-redonda com a participação de:
- Nico Lutz, director do sector da construção do UNIA e membro do comité executivo da SUVA
- Olivier Favre, director da divisão de segurança no trabalho para a Suíça francófona na SUVA
- Thomas Weibel, vice-director e chefe do departamento de gestão empresarial da SBV (Associação Suíça de Construtores)
- João Melo, director do Centro Médico La Victoire
- Jorge Gomes, director da empresa Probatech Constructions SA, e André Bonetti, responsável pelo departamento de segurança

Cada participante fará uma intervenção de 8 a 10 minutos, seguindo-se um debate moderado pela chefe de missão adjunta, Joana Vasconcelos.
18h00 – Encerramento, seguido de recepção e convívio.
A sessão será realizada principalmente em francês, com possibilidade de participação em inglês e português, sendo a inscrição gratuita através do link disponibilizado.
Entre as entidades participantes contam-se a República Portuguesa, UNIA, SUVA, SBV / SSE / SSIC, Centro Médico La Victoire e a Probatech Constructions SA.
O papel impresso anuncia uma jornada sobre segurança no trabalho. À primeira vista, parece apenas um encontro técnico, mas olhando com atenção percebe-se melhor o seu sentido e quem está por trás dele. A iniciativa parte da Embaixada de Portugal na Suíça em colaboração com o sindicato UNIA, e realiza-se nas instalações do próprio sindicato em Berna. Logo sabemos que há muita chefia portuguesa na Unia e juntaram interesses comuns! Isto mostra que não é um evento neutro: é um espaço onde se cruzam diplomacia, representação dos trabalhadores e instituições suíças ligadas ao trabalho.
Depois entram as entidades suíças de peso. A SUVA é o seguro nacional suíço contra acidentes de trabalho, uma das instituições mais importantes na segurança laboral. A SBV representa os empresários da construção civil.
Ou seja, estão presentes três lados da mesma realidade:
o sindicato, o seguro de acidentes e os patrões da construção. A presença de empresas como a Probatech Constructions SA mostra outro aspecto: não se trata apenas de teoria, pretende-se dar exemplos concretos de práticas de segurança nas obras, sector onde muitos emigrantes portugueses trabalham.
Há também uma dimensão política e comunitária. O Embaixador de Portugal abre o tema e a presidente do sindicato faz a abertura. Isto significa que o encontro procura falar directamente à comunidade portuguesa que trabalha na construção e em profissões de risco.
No fundo, estas jornadas têm três objectivos claros. Primeiro, informar trabalhadores, sobretudo emigrantes, sobre regras de segurança, direitos e prevenção de acidentes. Segundo, mostrar cooperação institucional entre Portugal e as entidades suíças que regulam o trabalho. Terceiro, reduzir acidentes na construção, um sector onde historicamente muitos portugueses sofreram quedas, esmagamentos ou lesões graves. Até aqui tudo de acordo…
Há ainda um detalhe curioso:
apesar de o público-alvo incluir portugueses, a sessão é anunciada principalmente em francês.
Isto revela uma realidade antiga da emigração:
muitas vezes os encontros são pensados dentro da lógica institucional suíça, e não totalmente adaptados à língua dos trabalhadores.
Assim, este encontro é ao mesmo tempo técnico e simbólico. Representa um esforço de prevenção, mas também um gesto diplomático e social, uma tentativa de aproximar instituições e trabalhadores que todos os dias levantam edifícios, estradas e pontes numa terra que não é a sua.
Há um pormenor discreto neste programa que diz muito mais do que as palavras que ali aparecem. O encontro fala de segurança no trabalho, mas o centro da conversa está claramente no sector da construção, nada mais!
Basta olhar para quem está à mesa:
o sindicato UNIA, a seguradora de acidentes SUVA e a associação patronal SBV representam exactamente o triângulo que governa a construção na Suíça, trabalhadores, seguro e patrões.
E por que razão isto aparece ligado à comunidade portuguesa?
Porque, desde os anos 60 até hoje, os portugueses continuam a ser uma das colunas humanas desse sector. Obras, túneis, andaimes, telhados, betão e pedra. Muito do que se ergueu na Suíça foi levantado por mãos vindas do Minho, de Trás-os-Montes, do Douro, das Beiras do Alentejo ou do Algarve.
Por isso, quando se fala de acidentes na construção, fala-se muitas vezes, mesmo sem o dizer abertamente, de trabalhadores emigrantes. Muitos deles portugueses.
Outro sinal silencioso está na língua. O encontro realiza-se principalmente em francês, embora seja organizado com participação portuguesa. Isto mostra que a estrutura continua a ser pensada dentro do quadro institucional suíço, enquanto os trabalhadores continuam a adaptar-se.
Há ainda um terceiro ponto digno de nota:
ao convidar representantes de empresas, como a Probatech Constructions SA, e um médico do Centro Médico La Victoire, pretende-se mostrar que a segurança não é apenas uma regra escrita, mas uma cadeia que vai da obra ao hospital.
No fundo, estas jornadas são uma tentativa de lembrar uma verdade simples:
uma obra pode erguer-se depressa, mas uma vida não se reconstrói quando cai de um andaime. Por detrás dos números de acidentes há homens que partiram da sua terra com esperança, mulheres que ficaram à espera de notícias, filhos que aguardam o regresso ao fim da semana. Falar de prevenção é também falar de dignidade. E quando a comunidade se reúne para ouvir, discutir e aprender, abre-se sempre uma pequena janela para um futuro onde o trabalho não seja caminho de sofrimento, mas de honra e sustento. Se prevenirmos haverá menos acidentes.
A história pouco contada começa nos anos 1960 e 1970, quando a Suíça enfrentava um grande crescimento urbano e industrial. Os construtores suíços tinham de erguer edifícios, túneis, estradas e pontes, mas não havia mão-de-obra suficiente. Foi então que centenas de milhares de portugueses chegaram, primeiro do Norte e Centro de Portugal, com contratos temporários, alojamento colectivo e salários muitas vezes mais baixos do que os locais.
O que quase ninguém diz é que, nesse mesmo período, os acidentes eram extremamente frequentes. Quedas de andaimes, cortes, esmagamentos, quedas de telhados, incêndios em obras, muitos destes acidentes não eram registados oficialmente, ou eram minimizados para não afectar o seguro nem os patrões.
Os hospitais suíços atendiam os feridos, mas os nomes e estatísticas nem sempre reflectiam a realidade:
trabalhadores portugueses eram tratados como “estrangeiros de segunda categoria”, e o apoio social era quase nulo. Se dantes havia discriminação antiga, hoje há discriminação moderna. Quem dantes dava a mão aos acidentados, hoje discrimina-os. É certo que dantes os trabalhadores subornavam os advogados, hoje há quem diga que são as instituições que o fazem.
Agora paga o justo pelo pecador!?
Nos anos 1980 e 1990, com a pressão sindical e a evolução das leis de segurança, a situação melhorou, mas a memória desses primeiros anos permanece. Muitos portugueses regressaram a casa com sequelas, outros nunca mais puderam trabalhar na construção. Alguns morreram e as famílias não tiveram direito a indemnização e nem os familiares tivessem informação completa sobre as circunstâncias.
Há hoje vários portugueses que foram embora com uma mão à frente e outra atrás, porque os técnicos de vários serviços omitiram relatórios e pareceres, esconderam a verdade e as instituições deitaram-se de fora. Alguns Lesados ainda estão por cá a lutar contra a SUVA e IV/AI e os sindicatos nada fazem, preocupam-se mais em fazer sócios.
O ponto mais importante que se percebe olhando para estes encontros actuais é que a prevenção de acidentes não é apenas técnica, é histórica. Cada regulamento, cada formação, cada presença do sindicato ou da SUVA é um esforço para que essas histórias não se repitam, para que as mãos que constroem não se partam, e para que a vida dos trabalhadores continue a ser valorizada e disso não temos dúvidas.
Quando vemos um programa como este, aparentemente formal e institucional, devemos lembrar que ele se conecta a décadas de luta, de dor e de resistência silenciosa dos portugueses na Suíça. É por isso que mesmo hoje, em 2026, cada palavra sobre segurança, cada mesa-redonda e cada intervenção do médico ou do patrão tem um peso profundo, que vai muito além do papel impresso. É melhor prevenir do que pagar indemnizações!
Quanto a isto, qual o interesse?
Julgo que o peso profundo é só entre eles, o interesse não é de todo proteger só o trabalhador, se calhar é mostrarem-se para dizer que trabalham em parcerias, quiçá é a UNIA o grande interessado nisto para crescer, uma vez que muita gente percebeu que é uma instituição que só quer enriquecer, tal como a SUVA e outros que raramente indemnizam quem sofre acidentes, tal como faziam com os trabalhadores de segundo plano nos anos 60 e 70.
Hoje é ainda pior, porque cada vez mais há acidentados que ficaram sem vida, sem pensões de invalidez e sem indemnizações, ao invés mandam-nos trabalhar até à exaustão, até à morte. Esta é a Lei da Suíça, mandar as pessoas trabalhar em trabalhos adaptáveis e talvez em algumas circunstâncias é justo, cada caso o seu caso. Mas há pessoas que ficam inaptas para o trabalho, se não podem pegar em peso, também não podem ficar muito tempo de pé ou muito tempo sentados, é apenas um exemplo!
Esta manifestação ou reunião, sim, é boa para prevenir acidentes, mas aconselhamos a não ser induzidos a pagar cotas para sindicatos ou outras instituições que em nada resultam.
Quanto a uma coisa que está atravessada na garganta do Redactor da Revista Repórter X:
circulou um email a dizer que os Lesados da SUVA deveriam estar presentes, que estes aparecem muito na praça pública digital, mas que presencialmente não aparecem para resolver os seus problemas.
O que recebemos e ouvimos é que este encontro não é de todo para os Lesados, é para prevenção do acidente e nada mais.
Os Lesados não são imitação, são acidentados, não são fingidos, são realidade. As entrevistas feitas pelo João Carlos Quelhas são acompanhadas de documentos que mostram relatórios só com uma verdade, a verdade de quem tem o poder e decisão administrativa, e o contribuinte não tem o dom da palavra, nunca teve. Não se pode defender de lobos maus!
Além disso, os Lesados não têm de se expor à frente de quem os ignora para continuarem a ser tratados como coitadinhos. Qualquer Lesado não tem economias para andar a ir a reuniões. O Embaixador, a Unia, a SUVA, que façam convites directos a cada Lesado e que as instituições paguem viagens e deem voz a cada um deles juntamente com os demais, mas certamente isso não interessa.
A voz não é para todos, os coitados dos trabalhadores nunca terão voz enquanto as instituições não os representam. Enquanto os governos apoiarem os países da guerra, incentivando a mesma e desperdiçando valores incalculáveis, e não tiverem valores justos para pagar advogados de defesa para defender os nossos, será só fogo de vistas, mostrar vaidades.
A carta que recebemos diz muito, acho que os Lesados deveriam ser chamados pelos representantes portugueses com presença apenas da SUVA e IV/AI e não com indivíduos no qual não tem interesse mostrar a sua dor. Para os Lesados já não vale apena prevenir, para os trabalhadores no activo devem aparecer em força para saberem técnicas para prevenir o acidente e por isso deixo o link de inscrição como nosso dever de informar:
INSCRIÇÕES: https://forms.office.com/e/KFsup0dpUu
Revista Repórter X
Infosuica.com


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