Inovação portuguesa no combate a incêndios: Carros, drones e robôs autónomos. Com os incêndios a marcarem cada vez mais os verões em Portugal, a inovação tecnológica surge como uma solução promissora. A empresa portuguesa Jacinto desenvolveu veículos elétricos, drones e robôs autónomos que prometem transformar o combate e a prevenção de incêndios. Estas soluções não apenas aumentam a eficiência operacional, mas também salvaguardam vidas, protegendo bombeiros de situações de elevado risco.
Eco-Camões: O carro elétrico para combate urbano e aeroportos
A visão disruptiva da Jacinto traduz-se no Eco-Camões, um camião de combate a incêndios totalmente elétrico. Este veículo permite controle à distância, garantindo segurança máxima para o operador. Assim, se houver risco de explosão ou condições perigosas, o operador pode afastar-se até 500 metros, mantendo o veículo em funcionamento.
Com uma capacidade de 10 mil litros de água e autonomia para 300 quilómetros, o Eco-Camões consegue bombear água durante quatro horas consecutivas. Além disso, a manutenção do veículo é significativamente mais simples do que a de um camião de combate convencional. Originalmente concebido para aeroportos, o Eco-Camões adapta-se igualmente a cenários urbanos e industriais, mostrando a sua versatilidade.
Apesar da inovação, a implementação em Portugal tem enfrentado obstáculos. Aeroportos, aeródromos e até instalações militares demonstraram interesse, mas a falta de infraestrutura de carregamento elétrico impediu a adoção massiva. Da mesma forma, algumas câmaras municipais mostraram pouca abertura para integrar veículos elétricos nos seus parques de bombeiros. Por isso, a empresa planeia promover o Eco-Camões no mercado internacional, expandindo as suas oportunidades.
Drones: Combate “Indireto” e prevenção
Além do Eco-Camões, a Jacinto desenvolveu o projeto SAP, que inclui um drone para atuar em incêndios rurais. Inicialmente, o drone enfrentou desafios técnicos: a carga de água tornava-o instável e o vento podia prender a mangueira nas árvores, causando acidentes. Por isso, a equipa adaptou o dispositivo para incêndios habitacionais ou edifícios de difícil acesso, mantendo a segurança operacional.
Mesmo em incêndios florestais, o drone cumpre um papel crucial na prevenção e contenção. Ele consegue colocar faixas de retardante, reduzindo a exposição dos bombeiros e aumentando a eficiência do combate indireto. Assim, os drones funcionam como aliados estratégicos, complementando o trabalho humano e minimizando riscos.
E-Forest: Robôs autónomos para gestão florestal
O projeto E-Forest centra-se na prevenção de incêndios e na gestão da biomassa florestal. O robô concebido pela Jacinto limpa florestas e recolhe resíduos orgânicos, enquanto sensores e inteligência artificial permitem detetar focos de incêndio e apagá-los autonomamente. Transportado por um reboque com painéis fotovoltaicos, o robô carrega-se de forma sustentável, tornando-se uma solução verde e inovadora.
Embora ainda esteja em fase de testes, o objetivo da Jacinto é expandir o uso destes robôs a municípios e áreas florestais, aumentando a segurança e reduzindo o impacto ambiental. Esta tecnologia representa uma combinação de inovação e sustentabilidade, refletindo a capacidade portuguesa de criar soluções disruptivas para desafios complexos.
A importância dos fundos comunitários
Estes projetos inovadores não seriam possíveis sem o apoio financeiro dos fundos comunitários. O Eco-Camões recebeu 1,6 milhões de euros do programa COMPETE 2020, incluindo 628 mil euros do FEDER. O projeto SAP, em parceria com a Sleeklab, Categoria Funcional e ADAI, foi financiado com 733 mil euros, dos quais 449 mil euros do FEDER. Já o E-Forest, desenvolvido com a Bold Robotics e a Universidade de Coimbra, contou com 1,3 milhões de euros, com 838 mil euros do FEDER.
O financiamento europeu permite à Jacinto avançar com tecnologias inovadoras, muitas vezes antes inacessíveis devido aos custos elevados. Segundo Jacinto Reis Oliveira, sócio-gerente e responsável pela área de inovação, “sem este apoio, não avançaríamos para determinados projetos”. Assim, os fundos comunitários não apenas fomentam a inovação, mas também fortalecem a notoriedade das empresas portuguesas no panorama internacional.
Impacto e futuro da tecnologia no combate a incêndios
A integração de carros elétricos, drones e robôs autónomos transforma o panorama do combate a incêndios. Primeiro, aumenta a segurança dos profissionais, reduzindo a exposição a riscos extremos. Depois, otimiza recursos, garantindo maior eficiência na utilização de água e retardantes. Por fim, promove a sustentabilidade ambiental, com soluções elétricas e energias renováveis.
Além disso, estas tecnologias estimulam o desenvolvimento científico e industrial em Portugal, criando oportunidades de emprego e reforçando competências técnicas. À medida que a inovação se torna mais acessível, os municípios e aeroportos podem integrar estas soluções, modernizando o combate a incêndios e prevenindo catástrofes futuras.
Conclusão
A Jacinto demonstra como tecnologia, sustentabilidade e inovação podem caminhar lado a lado no combate aos incêndios. O Eco-Camões, os drones e os robôs autónomos representam uma nova era, onde a segurança, eficiência e responsabilidade ambiental se unem. Com o apoio dos fundos europeus, Portugal posiciona-se como um país pioneiro na criação de soluções disruptivas, capazes de enfrentar os desafios do século XXI.


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