Incêndios em Sernancelhe: Sete casas de primeira habitação e 39 devolutas ardidas. “Os incêndios destruíram recentemente sete casas de primeira habitação e 39 casas devolutas no concelho de Sernancelhe, no distrito de Viseu, revelou o presidente da Câmara Municipal, Carlos Santos. Além disso, entre estas habitações, duas pertenciam a emigrantes, o que levanta questões sobre os apoios estatais para reconstrução.
Casas de emigrantes devem ser consideradas primeira habitação
Carlos Santos afirmou que as casas de emigrantes deveriam ser equiparadas a primeiras habitações no momento de atribuição de apoios. Portanto, segundo o autarca, estas casas representam o único lar em Portugal para quem trabalha fora, sendo que, sem elas, os emigrantes apenas teriam a possibilidade de residir em casas de familiares.
Portanto, Santos defende que o Estado deve tratar estas habitações como casas de primeira habitação tradicional, garantindo assim apoio eficaz e justo à reconstrução para os moradores. “Se não houver esta equivalência, muitos emigrantes podem ficar sem meios para reconstruir os seus lares”, sublinhou.
Casas devolutas: Um risco para o aglomerado urbano
Para além das casas de primeira habitação, as 39 casas devolutas também sofreram com o fogo, mas representam um risco adicional para o concelho. Devido à sua localização dentro do aglomerado urbano e à falta de ocupantes para defender as propriedades, estas habitações puseram em perigo casas vizinhas, aumentando a gravidade do desastre.
O presidente da Câmara alertou que, no futuro, será necessário revisar a política de gestão de casas devolutas e implementar medidas de incentivo à recuperação, evitando que incêndios semelhantes comprometam outras residências.
Origem e alcance do incêndio
O incêndio que atingiu Sernancelhe teve origem em dois focos distintos: um em Sátão, distrito de Viseu, no dia 13, e outro em Trancoso, distrito da Guarda, no dia 09. Posteriormente, estes focos uniram-se a 15 de agosto, afetando 11 municípios de ambos os distritos.
Os concelhos atingidos foram:
- Distrito de Viseu: Sátão, Sernancelhe, Moimenta da Beira, Penedono e São João da Pesqueira
- Distrito da Guarda: Aguiar da Beira, Trancoso, Fornos de Algodres, Mêda, Celorico da Beira e Vila Nova de Foz Côa
O fogo entrou em resolução apenas às 22:00 de 17 de agosto, após dias de intervenção intensa de bombeiros e meios aéreos.
Impacto nacional: Incêndios rurais em Portugal
Assim, erste incêndio insere-se num contexto mais amplo de incêndios rurais em Portugal continental, especialmente nas regiões Norte e Centro, durante os meses de julho e agosto. As chamas provocaram quatro mortes, incluindo a de um bombeiro, e vários feridos, alguns em estado grave.
Além disso, os incêndios destruíram total ou parcialmente casas de primeira e segunda habitação, explorações agrícolas, pecuárias e vastas áreas florestais. Em resposta, Portugal ativou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil, mobilizando dois aviões Fire Boss, um helicóptero Super Puma e dois aviões Canadair.
Áreas ardidas e necessidade de medidas de recuperação
Assim, de acordo com dados provisórios, até 23 de agosto arderam cerca de 250 mil hectares em Portugal, incluindo mais de 57 mil hectares apenas no incêndio que começou em Arganil.
Este cenário reforça a necessidade de implementar políticas eficazes de prevenção, além de incentivar a reconstrução de casas destruídas para residentes permanentes e emigrantes.
Por fim, Sernancelhe prepara-se para debater medidas concretas após as eleições autárquicas de 12 de outubro. Podendo garantir que situações semelhantes não coloquem novamente em risco os lares da população.


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