Imigrante em Portugal recebia 35 euros por dia: Mas quanto ganham os portugueses?

Imigrante em Portugal recebia 35 euros por dia: Mas quanto ganham os portugueses?
Imigrante em Portugal recebia 35 euros por dia: Mas quanto ganham os portugueses?

Imigrante em Portugal recebia 35 euros por dia: Mas quanto ganham os portugueses? A divulgação de casos de imigrantes a receber cerca de 35 euros por dia trabalhando 8 horas em Portugal gerou polémica e comparações imediatas com os salários dos trabalhadores portugueses. Para perceber melhor esta realidade, é essencial olhar para os números oficiais e para o contexto laboral do país.

Em 2025, o salário mínimo nacional é de 820 euros brutos mensais, ou seja, antes dos descontos para a Segurança Social e IRS. Após estas deduções, o valor líquido recebido pelo trabalhador — o que efetivamente entra na sua conta bancária — situa-se normalmente entre 665 e 690 euros por mês. Este valor corresponde a cerca de 22 a 23 euros líquidos por dia, ou aproximadamente 30 a 31 euros líquidos por dia útil de trabalho.

Ainda assim, estes valores não representam a realidade de uma minoria. Segundo dados do Banco de Portugal, cerca de 23% dos trabalhadores portugueses — quase um em cada quatro — recebem o salário mínimo nacional. Muitos outros ganham apenas ligeiramente acima desse valor, o que evidencia a forte concentração de salários baixos no mercado de trabalho português e mostra que grande parte da população ativa vive com rendimentos que mal permitem cobrir as despesas básicas.

Além disso, é importante notar que, embora o salário mínimo bruto seja fixo, o poder de compra do salário líquido pode variar consoante a situação pessoal de cada trabalhador (como número de dependentes ou estado civil), reforçando ainda mais as dificuldades financeiras enfrentadas por muitos portugueses.

Salários baixos como problema estrutural

Para milhares de portugueses, o salário mínimo não é um ponto de partida, mas sim um limite que se prolonga durante anos. Apesar do aumento do custo de vida, especialmente na habitação, alimentação e energia, os salários continuam a crescer de forma lenta, dificultando a melhoria das condições de vida da maioria da população ativa.

Exploração laboral e a Operação Espelho em Beja

Segundo as noticias da comunicação Social no caso dos imigrantes, importa esclarecer que valores como os 35 euros por dia surgem muitas vezes em contextos de exploração. A Operação Espelho, realizada em Beja, revelou redes organizadas que exploravam trabalhadores migrantes, sobretudo na agricultura, sujeitos a longas jornadas, pagamentos irregulares, ausência de contratos e condições de habitação degradantes. Nestes casos, o valor diário não significa melhores rendimentos, mas sim falta de direitos e proteção social.

Colocar portugueses e imigrantes em confronto é um erro. O problema central é um modelo económico que normaliza salários baixos e permite a exploração laboral. Sem uma valorização efetiva do trabalho, a precariedade continuará a afetar todos, independentemente da nacionalidade.

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