Henrique Gouveia e Melo passou dois dias em França

Henrique Gouveia e Melo passou dois dias em França
Henrique Gouveia e Melo passou dois dias em França

Henrique Gouveia e Melo passou dois dias em contacto direto com portugueses residentes em França e, ao falar com a comunicação social, apresentou uma posição firme sobre o papel da diáspora. Apesar de ser frequentemente descrito como demasiado moderado, o candidato presidencial adotou um tom mais assertivo e, portanto, dirigiu recados claros tanto às comunidades como aos seus adversários. Além disso, questionou a utilidade do Conselho da Diáspora, defendendo que este tipo de estruturas formais raramente produz resultados concretos. Assim, sublinhou que são necessárias medidas reais e permanentes, capazes de reforçar a ligação entre o país e os milhões de portugueses que vivem fora do território nacional.

Ação em vez de formalismos

De forma reiterada, o almirante considerou que várias iniciativas políticas servem apenas “para inglês ver”. Contudo, argumentou que Portugal precisa de encarar as comunidades emigrantes como parte integrante de um país mais amplo e dinâmico. Além disso, afirmou que gosta de resultados visíveis e que, por isso, pretende transformar as comunidades em “ativos poderosos” do país. O objetivo passa por elevar os emigrantes ao estatuto de postos avançados da cultura portuguesa, reforçando simultaneamente a ligação com outros povos e economias.

Presidência ativa

O candidato voltou a insistir na ideia de um “Portugal maior”, que beneficie tanto os residentes em território nacional como os que vivem no estrangeiro. Para Gouveia e Melo, a Presidência da República constitui um espaço privilegiado para concretizar essa visão. Nesse contexto, criticou, sem referir nomes, propostas que considera meros efeitos sonoros. Assim, apontou a ideia de realizar “presidências abertas” no estrangeiro, proposta associada a Luís Marques Mendes, classificando-a como irrealista. Em tom firme, afirmou que tal promessa “equivale a não ter ideia nenhuma”.

Críticas à visão isolacionista

Sem evitar confrontos, Gouveia e Melo também criticou diretamente André Ventura. Mostrou surpresa pela postura isolacionista do candidato, especialmente quando este declara que não receberia líderes estrangeiros, como Lula da Silva. O almirante alertou para a retórica de isolamento que, na sua opinião, coloca Portugal numa posição “orgulhosamente sós”. Paralelamente, analisou o crescimento do Chega junto das comunidades portuguesas, considerando que esse apoio resulta sobretudo de um voto de protesto. Sublinhou que certas ideias políticas podem tornar-se perigosas e pediu aos emigrantes que imaginem como seria viver em países que aplicassem as políticas restritivas defendidas pelo Chega.

Propostas concretas

Ao defender um reforço da coesão com todas as gerações de lusodescendentes, Gouveia e Melo sugeriu a criação de estágios para jovens da segunda e terceira geração. Assim, acredita que estes possam regressar temporariamente a Portugal, criando redes profissionais importantes e fortalecendo laços culturais. Reforçou ainda que pretende agir com pragmatismo, relembrando o seu papel durante a pandemia, quando, segundo sublinhou, preferiu agir em vez de prometer.

Contacto direto com a diáspora

Durante a visita a França, o candidato percorreu mercados, pastelarias e associações portuguesas, demonstrando proximidade com potenciais eleitores. Além disso, garantiu que, se for eleito, tudo fará para aproximar a comunidade da sua terra de origem, compromisso que reiterou num jantar com cerca de uma centena de emigrantes portugueses.

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