Há momentos na história em que a humanidade parece caminhar sobre um campo seco, onde basta uma faísca para transformar o horizonte inteiro em labareda. O conflito entre Israel e Irão é hoje uma dessas faíscas. Não nasce do nada, nem brota de um dia para o outro. Vem de décadas de desconfiança, de ideologias que alimentam o confronto e de uma política internacional onde muitas vezes se troca prudência por força bruta.
A guerra, quando começa, raramente permanece onde nasceu. Espalha-se como vento quente pelas fronteiras, pelas alianças, pelas emoções dos povos. E quando entram em campo potências maiores, como os Estados Unidos da América, o perigo deixa de ser regional e passa a ser mundial.
Há hoje uma crítica dura que se ouve em muitas vozes. Uma crítica que não aceita a linguagem diplomática polida quando o mundo vê novamente cidades a viver sob sirenes e mísseis. Segundo essa visão, nesta guerra Israel não é melhor que os seus vizinhos ditadores e terroristas que só tem nos neurónios bombas e no sangue ódio e o papel dos Estados Unidos da América que em vez de apaziguar a guerra, faz com que a mesma alastre ao mundo quando o Irão enraivecido lança “foguetes” em todas as direcções principalmente a Embaixadas de Israel nos países vizinhos.
A pergunta surge então de forma directa! Estará Donald Trump a proceder bem e ao invés de apoiar Israel porque não faz retaliação com os dois países ditadores?
Também se levanta outra indignação clara! O Irão não tem de ameaçar a Espanha, porque cada país sabe o que é melhor para si. A soberania das nações não é um brinquedo nas mãos de regimes armados de retórica e mísseis…
Há também exemplos que recordam como os países pequenos aprendem a viver num mundo de perigos constantes. Por exemplo Portugal empresta a estratégica Base das Lajes nos Açores não para fazer favores, mas sim para se defender dos “lobos maus” principalmente do mundo Árabe. A história ensina que a defesa não é submissão, é prudência.
Mas a questão central permanece no ar, pesada como nuvem antes da tempestade.
Esta guerra era necessária?
Há quem diga que sim. Que um regime como o do Irão, que há anos constrói influência militar através de milícias e ameaças regionais, precisava de ser travado antes que se tornasse ainda mais perigoso. A lógica estratégica é dura, mas simples. Se um perigo cresce sem limites, enfrentá-lo cedo pode evitar uma catástrofe maior.
Outros dirão que quase todas as guerras são falhas da diplomacia. Durante anos existiram negociações, sanções, pressões internacionais e tentativas de controlo nuclear. Talvez pudesse ter havido mais firmeza diplomática, mais unidade internacional e menos jogos geopolíticos entre potências.
Talvez pudesse ter sido evitada. Talvez com acordos mais claros, com fiscalização internacional séria e com menos humilhação política que tantas vezes alimenta regimes radicais.
Mas também é verdade que a história mostra algo incómodo. Muitos conflitos começaram porque o mundo esperou demasiado tempo para travar regimes perigosos.
Se o Irão é perigoso, como muitos acreditam, então alguns dirão que mais vale ter sido agora que tarde!
Ainda assim, cada guerra abre portas difíceis de fechar. Cada foguete lançado cria novos inimigos. Cada cidade atingida deixa cicatrizes que duram gerações.
O mundo encontra-se num daqueles cruzamentos raros da história. Ou esta guerra ficará limitada, ou poderá incendiar regiões inteiras e arrastar novas potências para o conflito.
No fundo, os povos sabem algo que os governantes muitas vezes esquecem. A paz não é fraqueza. A paz exige coragem, memória e sabedoria.
E quando a poeira da guerra assentar, como sempre acaba por acontecer, restará apenas uma pergunta eterna. Se tudo isto poderia ter sido evitado antes de o primeiro míssil rasgar o céu!?
autor: Quelhas


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