Governo pede ajuda de emigrantes para reconstrução

Governo pede ajuda de emigrantes para reconstrução
Governo pede ajuda de emigrantes para reconstrução

Apelo direto às comunidades portuguesas

Perante o agravamento dos danos causados pelo mau tempo, o Governo pediu, de forma clara e direta, o apoio dos emigrantes portugueses na reconstrução nacional. Assim, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, apelou aos trabalhadores da construção civil para regressarem temporariamente a Portugal.

Além disso, o governante destacou que a recuperação das infraestruturas exige rapidez, coordenação e mão de obra especializada. Por isso, segundo afirmou, a ajuda mais eficaz passa pelo trabalho no terreno, sobretudo em áreas fortemente afetadas pelas depressões Kristin e Leonardo.

Regresso com condições asseguradas

Durante uma visita oficial a Londres, Emídio Sousa esclareceu que o regresso não implica trabalho voluntário. Pelo contrário, frisou que existem fundos disponíveis para pagar os serviços, garantindo condições dignas aos profissionais envolvidos.

Nesse sentido, o Governo anunciou um pacote financeiro de 2,5 mil milhões de euros, ao qual acrescem indemnizações das seguradoras. Assim, segundo o Executivo, os recursos necessários para a reconstrução estão assegurados.

Além disso, o secretário de Estado sublinhou que Portugal enfrenta escassez de mão de obra nacional, sobretudo para reparar habitações, fábricas e infraestruturas públicas essenciais.

Oportunidade económica para empresas

Paralelamente, Emídio Sousa destacou que a situação pode representar uma oportunidade de negócio para empresas portuguesas e estrangeiras. Segundo explicou, vários países europeus registam menor atividade na construção nos primeiros meses do ano.

Por isso, o governante apontou França, Suíça, Luxemburgo, Alemanha e Reino Unido como mercados onde empresas podem mobilizar equipas para Portugal. Contudo, frisou que todos os processos devem respeitar regras claras e transparentes.

Burocracia será agilizada

Relativamente aos procedimentos administrativos, o Governo garantiu disponibilidade para agilizar a burocracia. Assim, as estruturas de missão criadas pelo Executivo irão apoiar empresas com atividade no estrangeiro.

Segundo Emídio Sousa, a faturação, os impostos e os reembolsos terão acompanhamento direto, garantindo rapidez e integridade nos processos. Dessa forma, o Estado assegura que os trabalhos realizados serão pagos sem entraves desnecessários.

Apoios financeiros com prudência

Embora tenha elogiado a solidariedade dos portugueses, o secretário de Estado apelou à prudência nas doações online. Assim, alertou para riscos associados a campanhas de financiamento coletivo sem garantias.

Nesse contexto, recomendou que os donativos sejam direcionados para instituições sociais reconhecidas, como lares de idosos ou corporações de bombeiros afetadas. Além disso, aconselhou a obtenção de informação fiável junto das autarquias locais.

Segundo alertou, algumas campanhas nas redes sociais podem não chegar aos destinatários pretendidos, comprometendo a eficácia da ajuda.

Entrada de mais imigrantes em análise

Entretanto, o Governo admite também a possibilidade de entrada de mais imigrantes para suprir necessidades pontuais. No entanto, esclarece que não serão criados novos canais de imigração especificamente devido à depressão Kristin.

Na Grande Entrevista da RTP, o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, afirmou que as empresas do setor estão disponíveis para recrutar mão de obra externa. Ainda assim, frisou que os prejuízos globais podem ultrapassar os quatro mil milhões de euros.

Prioridade ao mercado interno

Apesar das declarações do Presidente da República, que defendeu um novo canal de imigração, o Ministério da Presidência esclareceu que a prioridade será contratar trabalhadores em território nacional.

Segundo o ministério, a maioria dos setores não apresenta carência significativa de mão de obra. No entanto, caso surjam necessidades específicas, o Governo recorrerá aos mecanismos já existentes.

Canais já previstos na lei

De acordo com o secretário de Estado das Migrações, Rui Armindo Freitas, a reforma da imigração realizada há cerca de um ano e meio já prevê canais expeditos para projetos especiais.

Assim, desde que exista contrato de trabalho e condições de vida asseguradas, as empresas podem avançar com contratações. Segundo explicou, as grandes empresas da construção civil já estão abrangidas por estes acordos.

Por fim, Rui Armindo Freitas reforçou que as contratações dependerão exclusivamente da necessidade real, garantindo equilíbrio entre recuperação económica e gestão migratória responsável.

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