Encerramento marca fim de resposta excecional
Genebra: Centro de alojamento de emergência da Palexpo encerrou as suas portas. Antes de mais, o centro de alojamento de emergência instalado na Halle 7 da Palexpo encerrou definitivamente no final de novembro.
Assim, termina uma estrutura provisória criada em 2022 para responder à chegada maciça de refugiados ucranianos.
Segundo dados divulgados, o espaço acolheu mais de 6000 pessoas, tornando-se uma resposta inédita em território suíço.
Além disso, o centro recebeu até 600 residentes em simultâneo, número equivalente à população da menor comuna do cantão de Genebra.
Por conseguinte, o encerramento representa uma mudança significativa na política de acolhimento de emergência.
Novo planeamento de alojamento coletivo
Entretanto, o Hospice général afirmou ter reforçado a sua capacidade operacional, em articulação com a task force cantonal.
Nesse sentido, entre agosto de 2024 e agosto de 2025, a instituição abriu cinco novos centros de alojamento coletivo.
Além disso, reabriu os centros da Praille e de Gavard, em Carouge, após obras de renovação concluídas em outubro.
Desta forma, estas medidas criaram 3000 novas vagas, permitindo o encerramento progressivo da Palexpo.
Ainda assim, segundo o Hospice général, o sistema de acolhimento continua sob forte pressão estrutural.
Abrigo subterrâneo gera polémica
Por outro lado, face à pressão contínua, o Hospice général abriu recentemente um abrigo PC em Balexert, com cem lugares disponíveis.
Este espaço destina-se exclusivamente a homens solteiros abrangidos pelo regime de ajuda de emergência.
Ou seja, trata-se de pessoas com pedidos de asilo recusados ou alvo de decisões de não entrada em matéria.
Além disso, muitos permaneceram mais de 140 dias no Centro Federal de Asilo do Grand-Saconnex, próximo do aeroporto.
Consequentemente, as autoridades cantonais assumiram a responsabilidade pelo seu alojamento temporário.
Associações alertam para riscos humanos
No entanto, várias associações manifestaram forte preocupação com esta solução provisória.
Segundo a Coordination asile, citada pelo jornal Le Courrier, as condições nos abrigos PC são consideradas “intenáveis”.
Além disso, a associação recorda que estas estruturas subterrâneas foram concebidas apenas para situações excecionais e de curta duração.
Por conseguinte, alojar pessoas durante períodos indefinidos viola princípios básicos de dignidade humana.
Assim, a organização exige o encerramento imediato destes abrigos e a implementação de alternativas urgentes.
Exigência de soluções duradouras
Paralelamente, a Coordination asile defende um melhor acompanhamento individual na procura de habitação permanente.
Além disso, solicita uma política de acolhimento coerente e um plano de ação concreto.
Segundo a associação, qualquer resposta deve respeitar plenamente os direitos humanos e a integridade das pessoas acolhidas.
Dessa forma, o debate sobre alojamento de emergência ganha relevância crescente no contexto migratório atual.
Autoridades admitem limitações
Por sua vez, o Hospice général reconhece que o recurso a abrigos subterrâneos não é sustentável a longo prazo.
Ainda assim, garante estar a trabalhar ativamente com as autoridades cantonais e serviços competentes.
Segundo a instituição, o objetivo passa por encontrar soluções de alojamento dignas e estáveis para todos os afetados.
Enquanto isso, o desafio mantém-se elevado, refletindo a complexidade da gestão migratória em Genebra.
Contexto europeu reforça pressão
Importa ainda referir que a crise de acolhimento ocorre num contexto europeu marcado por conflitos prolongados.
Assim, a guerra na Ucrânia continua a gerar fluxos migratórios significativos.
Consequentemente, os sistemas nacionais enfrentam dificuldades acrescidas na resposta humanitária.
Por fim, especialistas defendem uma coordenação reforçada entre níveis locais, nacionais e internacionais.


Seja o primeiro a comentar