Redes de fraude reveladas
Fraude social milionária exposta em Lausanne. A investigação sobre o polémico edifício da rua de Genève 85, em Lausanne, desencadeou um novo capítulo, e as autoridades suíças descobriram um vasto esquema de fraude social. Embora o caso esteja longe de terminar, os primeiros resultados mostram dimensões inesperadas. Assim, o Ministério Público confirmou que dezenas de pessoas receberam ajudas estatais para pagar rendas apesar de, na prática, nunca terem vivido no edifício.
Esquema começa a ser desvendado
As autoridades explicaram que, ao longo da investigação realizada com a polícia judiciária de Lausanne e a polícia de segurança do cantão de Vaud, surgiram «casos de indivíduos que recebiam prestações indevidas». Portanto, apesar de alegarem ser inquilinos no imóvel, estas pessoas residiam noutros locais do cantão. Além disso, continuavam a beneficiar de ajudas ao alojamento com base em contratos forjados.
Muitas destas pessoas possuíam autorizações de residência B, C e F. Ainda assim, apresentavam-se como arrendatárias legítimas, mesmo nunca tendo dormido no edifício. E, para agravar, os seus cônjuges declaravam falsamente viver separados, o que lhes permitia obter apoios sociais superiores. Desta forma, ao longo dos anos, os serviços sociais do Estado de Vaud foram enganados através de uma rede organizada e persistente.
Sublinha-se que este tipo de fraude representa uma violação séria da confiança pública, sobretudo porque envolve documentos oficiais manipulados e falsas declarações sistemáticas.
Montante do prejuízo e implicados
As autoridades estimam que, entre 2018 e 2025, o prejuízo total atinge aproximadamente 1,9 milhões de francos. Consequentemente, os serviços sociais apresentaram queixa, levando à abertura de múltiplos processos criminais. Ao todo, 41 pessoas, com idades entre os 29 e os 56 anos, estão agora sob investigação por crimes de burla.
O caso ganhou contornos ainda mais graves quando se descobriu que os falsos contratos de arrendamento eram produzidos por dois responsáveis internos do edifício: o gerente e o porteiro. Através da emissão destes documentos falsos e da gestão irregular das caixas de correio, ambos terão recebido várias centenas de milhares de francos.
Segundo as autoridades, os dois suspeitos foram detidos preventivamente, mas já se encontram em liberdade. Permanecem, contudo, formalmente acusados de crimes de burla, branqueamento de capitais e falsificação de documentos.
O papel do proprietário continua em investigação
Até ao momento, o Ministério Público afirma não existirem indícios de que o proprietário da rua de Genève 85 tenha participado nesta fraude específica. Apesar disso, mantém-se como arguido noutro processo. Como explicou Vincent Derouand, porta-voz do Ministério Público de Vaud, «o porteiro e o gerente terão preferido dividir os ganhos apenas entre si».
Recorde-se que o proprietário foi detido no final de agosto, ao mesmo tempo que o gerente e o porteiro. Posteriormente, saiu em liberdade no início de novembro. Embora não esteja ligado à fraude às prestações sociais, continua sob suspeita de branqueamento de capitais.
Segundo a acusação, os alugueres que recebia provinham de atividades de tráfico de droga. Assim, as autoridades consideram que não poderia ter ignorado a origem ilícita desses fundos.
Fraude com impacto social profundo
O caso expõe falhas graves nos mecanismos de controlo e revela como redes organizadas manipulam, com eficácia, os sistemas de apoio social, mesmo enquanto as autoridades continuam a desvendar o esquema. Além disso, a investigação demonstra a importância de vigilância contínua, uma vez que casos deste tipo prejudicam não só o erário público, mas também os cidadãos que necessitam genuinamente destes apoios.
Este caso continuará a evoluir e poderá revelar novos desenvolvimentos nas próximas semanas.


Em todo o lado á uma ovelha que sai fora do rebanho