Uma mudança que pesa mais
Quando li esta proposta, a minha primeira reação foi simples: mais uma despesa para quem já vive com o orçamento apertado.
O Conselho Federal quer aumentar a franquia mínima do seguro de saúde na Suíça, passando de 300 para 400 francos. A ideia é incentivar os segurados a recorrerem menos aos cuidados médicos. Na prática, isso significa pagar mais do próprio bolso antes de o seguro começar a comparticipar.
Confesso que esta lógica me deixa desconfortável. Percebo o argumento da responsabilidade individual. Ainda assim, custa-me aceitar que se tente controlar os custos da saúde tornando o acesso mais pesado para os doentes.
O argumento da responsabilidade
Segundo as autoridades, esta revisão pretende adaptar a franquia à realidade atual. O Parlamento aprovou a medida em março de 2025. Agora, o projeto segue para consulta.
Além do aumento inicial para 400 francos, está previsto um mecanismo de adaptação. Esse sistema fará subir a franquia sempre que a participação dos segurados nos custos descer abaixo de um certo limite.
Esse limiar foi fixado em 13,5% das prestações brutas cobertas pelo seguro obrigatório. Nos últimos dez anos, essa participação oscilou entre 13,4% e 13,9%.
No papel, a proposta parece técnica e equilibrada. Mas, vista do lado de quem precisa de cuidados regulares, a leitura muda bastante.
Quem sente mais esta decisão
Na minha opinião, esta medida arrisca-se a atingir sobretudo quem tem menos margem para escolher. Pessoas idosas, doentes crónicos e famílias com despesas constantes podem ser as mais afetadas.
As crianças continuam isentas de franquia, o que me parece justo. Mesmo assim, isso não resolve o essencial. Quem precisa mesmo de consultas, exames ou medicamentos não deixa de precisar por pagar mais.
É por isso que compreendo a oposição da União Sindical Suíça. O sindicato considera o projeto desligado da realidade e alerta para um efeito perigoso: levar mais pessoas a adiar cuidados necessários.
Poupar hoje para gastar amanhã?
Este é o ponto que mais me faz pensar. Muitas vezes, adiar um tratamento não reduz custos. Apenas empurra o problema para a frente.
A última subida da franquia mínima aconteceu em 2004. Desde então, muita coisa mudou no custo de vida. Em 2024, 45% dos adultos escolheram a franquia mínima. Isso mostra que uma grande parte da população já procura a solução mais segura possível.
No fim, fico com a sensação de que esta proposta pode parecer moderada em Berna, mas será tudo menos leve para muita gente.
Etiquetas: seguro de saúde, Suíça, franquia mínima, custos da saúde, LAMal


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