A crise que obriga a decisões rápidas
Financiamento da 13.ª pensão AVS: O plano oculto que pode mudar o futuro da reforma na Suíça. A reforma da segurança social suíça entra numa fase crítica, e, por isso, Elisabeth Baume-Schneider enfrenta uma das missões mais complexas da sua carreira política. Enquanto a conselheira federal prepara a grande reforma da AVS prevista para 2030, depara-se com um cenário instável. Assim, embora o Parlamento tenha pedido há quatro anos uma proposta que garantisse a estabilidade da AVS entre 2030 e 2040, ninguém antecipou o impacto das decisões populares recentes.
Com efeito, a aprovação da 13.ª pensão e o forte rejeitamento do aumento da idade da reforma alteraram por completo o equilíbrio previsto. Além disso, a redução das pensões de viuvez e o aumento das pensões de poupança-velhice também não estavam incluídos nos planos iniciais. Consequentemente, vários dossiês ficaram suspensos, já que o Parlamento empurra as decisões para mais tarde. No entanto, apesar deste impasse, a ministra precisa agora de apresentar respostas concretas, e deverá revelar dados essenciais já no final de novembro.
A 13.ª pensão no centro da discórdia
O financiamento da 13.ª pensão representa o maior obstáculo, já que este novo direito custará entre 4,2 e 5 mil milhões de francos por ano. Por isso, o debate político intensifica-se, e cada grupo defende uma via diferente para pagar a fatura. Elisabeth Baume-Schneider propõe um aumento de 0,7 pontos na taxa de IVA, garantindo assim a estabilidade da AVS até 2040. Contudo, o Conselho Nacional aceita aumentar o IVA, mas apenas até 2030, criando uma solução temporária. Já o Conselho dos Estados pretende uma variante mista baseada em contribuições salariais adicionais e numa subida moderada do IVA.
Ao mesmo tempo, o Partido Liberal-Radical e a União Democrática do Centro pretendem adiar o financiamento, pressionando novamente para um aumento da idade da reforma. Resta perceber qual destas posições prevalecerá ou se, pelo contrário, tudo terminará num impasse total.
As diferentes variantes já em preparação
Perante esta incerteza, Baume-Schneider prepara vários cenários de contingência que serão apresentados caso o Parlamento continue sem avançar. Assim, os modelos em estudo deverão seguir linhas como estas:
Aumento do IVA
Se o Governo conseguir apoio para subir o IVA, a AVS não precisará de outra fonte de financiamento. Aliás, as previsões financeiras mais recentes mostram que, neste cenário médio, as contas permanecerão estáveis todos os anos, permitindo que o fundo alcance aproximadamente 66 mil milhões de francos em 2040.
Variante mista
Se prevalecer a solução do Conselho dos Estados, a situação será ainda mais favorável. De facto, com a combinação entre o aumento do IVA e das contribuições salariais, o fundo da AVS poderá atingir perto de 73 mil milhões de francos em 2040. Além disso, uma versão mais suave desta solução, com subidas menos agressivas, também está em análise.
Aumento temporário do IVA
Uma subida limitada no tempo daria apenas um alívio momentâneo. Embora cobrisse o défice causado pela 13.ª pensão entre 2028 e 2030, a AVS começaria a perder liquidez logo após esse período. Assim, Baume-Schneider teria de exigir um financiamento adicional. Uma alternativa seria prolongar a validade da medida até ao final da década de 2030, quando terminar a pressão demográfica dos “baby boomers”. Contudo, uma medida tão curta não faz sentido para a economia, porque os custos técnicos de implementação são elevados.
Cenário de bloqueio político
Se o Conselho Nacional e o Conselho dos Estados falharem um acordo, o pior cenário torna-se possível. Apesar de a 13.ª pensão começar a ser paga em 2026, a AVS entraria em défice já em 2029 sem financiamento adicional. Quanto mais tarde surgir uma solução, maior o custo. Caso haja intervenção apenas depois de 2030, a subida do IVA teria de ultrapassar um ponto percentual. Neste cenário extremo, surgiria também a hipótese de um mecanismo automático de intervenção, funcionando como um “travão de emergência” quando a situação financeira se deteriorasse rapidamente.
Incentivos para trabalhar mais tempo
Enquanto estas decisões de peso aguardam definição, Baume-Schneider tenta avançar com medidas estruturais paralelas. Assim, aposta na criação de incentivos para que mais pessoas escolham trabalhar voluntariamente após a idade oficial da reforma. Paralelamente, propõe ajustes para tornar o sistema mais justo. Entre eles está a limitação das deduções dos trabalhadores independentes e a aplicação de contribuições AVS aos pagamentos de gorjetas digitais.
O Governo planeia lançar o projeto para consulta pública no início de 2026. No entanto, como o Parlamento possivelmente não fechará o tema do financiamento antes da sessão da primavera ou do verão, a ministra terá novamente de apresentar várias versões alternativas. Na melhor das hipóteses, o projeto final chegará ao Parlamento no final do próximo ano. Só então se perceberá qual a estratégia escolhida para tirar a AVS do labirinto atual.
Uma decisão que moldará o futuro
À medida que o tempo avança, cresce a pressão para encontrar uma solução estável. A combinação entre o envelhecimento demográfico, as decisões populares recentes e o atraso parlamentar cria um contexto único e altamente desafiante. Assim, Baume-Schneider tem agora a responsabilidade de apresentar um caminho viável, capaz de proteger o sistema de pensões das próximas duas décadas. Independentemente da opção escolhida, a reforma de 2030 será decisiva para o futuro económico e social da Suíça.


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