Emigrante João Carlos Veloso Gonçalves desiste de candidatura à Presidência da República. João Carlos Veloso Gonçalves, mais conhecido como “Quelhas”, anunciou a desistência da sua pré-candidatura à Presidência da República Portuguesa. Apesar do sonho de disputar o cargo ter sido interrompido, o ativismo e a luta pelos direitos dos emigrantes continuam firmes. Desde o início, Quelhas apresentou-se com determinação e clareza, trazendo ideias concretas para romper com o sistema que, segundo ele, domina o país há décadas.
O início da candidatura e a esperança no Chega
Quando decidiu avançar, Quelhas não o fez por capricho, mas por ambição de provocar mudanças profundas em Portugal. Assim, apresentou propostas centradas na diáspora, na justiça social e na defesa dos emigrantes. Para ele, era essencial dar voz àqueles que muitas vezes se sentem esquecidos, mostrando que uma alternativa honesta e anti-sistema é possível.
Além disso, partilhou essas propostas com André Ventura, deputado pelo círculo da Europa, na esperança de obter apoio político do Chega. Inicialmente, existiu abertura para essa colaboração, o que motivou Quelhas a preparar a candidatura de forma meticulosa: organizou contactos, estabeleceu um mandatário em Lisboa, abriu uma sala de campanha em Zurique, planeou estratégias e reuniu centenas de assinaturas. No entanto, a realidade mostrou-se mais dura do que esperava.
Desilusões políticas e obstáculos burocráticos
Apesar do esforço, muitas assinaturas chegaram mal preenchidas ou sem documentos necessários, dificultando a validação da candidatura. Para Quelhas, o sistema político e judicial favorece a burocracia em detrimento da vontade real do povo. Assim, concluiu que continuar seria inútil, a menos que surgisse uma força política disposta a apoiar de forma séria e dedicada o seu projeto.
Além disso, Quelhas revelou desilusão com André Ventura, considerando a sua candidatura presidencial um erro estratégico e um gesto de vaidade pessoal. Segundo ele, Ventura não soube aproveitar o apoio da base de emigrantes, que representava a maior força do movimento. Este comportamento afastou aqueles que estavam preparados para arriscar e contribuir ativamente para o projeto anti-sistema.
Direitos dos emigrantes no centro do projeto
Mesmo após a desistência, Quelhas mantém-se comprometido com a defesa dos emigrantes. Entre as suas propostas, destaca-se a criação de órgãos dentro ou fora dos consulados para apoio jurídico e proteção contra corrupção. Além disso, pretende centralizar estes órgãos para garantir maior eficácia, aumentar o número de deputados para representar os emigrantes e melhorar os sistemas de atendimento nos consulados.
Também propõe medidas para facilitar o regresso de emigrantes pensionistas a Portugal, melhorar a comunicação com a diáspora e assegurar igualdade de tratamento para imigrantes das ex-colónias. Para Quelhas, a proteção dos emigrantes é um pilar fundamental de qualquer política séria que vise a justiça social e o combate à desigualdade.
Justiça social, economia e qualidade de vida
No âmbito da justiça social, o ex-candidato defende a proteção de pais e mães cujos filhos foram retirados pelas instituições, a responsabilização de quem provoca incêndios, o combate à corrupção política e a criação de um sistema de pensões mais justo.
Em termos económicos, propõe eliminar o duplo imposto sobre a riqueza, garantir um salário mínimo europeu entre 1.500 e 2.500 euros, reduzir impostos como IMI e IUC, e defender o Regime dos Residentes Não Habituais (RNH). Paralelamente, defende melhorias na habitação, segurança pública, saúde e qualidade de vida, propondo, por exemplo, mais policiamento, redução de tempos de espera nas urgências e aumento de cuidadores para a terceira idade.
Reformas políticas, institucionais e posicionamento social
Quelhas também defende reformas institucionais, como o fim da regionalização e a realização de referendos para decidir a independência da Madeira e dos Açores. Propõe ainda o fim do novo acordo ortográfico, valorizando a língua portuguesa como património histórico.
No plano social, posiciona-se contra o aborto, mas a favor da eutanásia, ambos com regras rígidas e acompanhamento profissional. No âmbito geopolítico, defende o fim do apoio financeiro a conflitos internacionais e considera criminoso fornecer armamento a países em guerra.
Compromisso e futuro
Apesar da desistência da candidatura presidencial, João Carlos Veloso Gonçalves mantém o compromisso de lutar pela igualdade, pelos direitos humanos e pelo fim da discriminação social e da pobreza. Para ele, é fundamental mudar mentalidades políticas e garantir que a voz de quem defende os esquecidos nunca seja silenciada.
Por fim, Quelhas agradeceu a todos os que colaboraram na candidatura, sublinhando que a luta pelos emigrantes continuará firme e necessária. A esperança de construir um Portugal mais justo e verdadeiro mantém-se viva, e continuamos a defender ativamente a diáspora portuguesa.
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