Crise suíça dos medicamentos agrava-se

Crise suíça dos medicamentos agrava-se
Crise suíça dos medicamentos agrava-se

Crise suíça dos medicamentos agrava-se. A Suíça enfrenta uma escassez de medicamentos considerada altamente preocupante, e, por isso, as autoridades alertam que o fornecimento já não pode ser garantido em todos os casos. Além disso, um estudo recente do gabinete New Angle, encomendado pela farmacêutica Viatris, revela que mais de 700 embalagens estão indisponíveis, afectando analgésicos fortes, vacinas, insulina e antibióticos.

Entretanto, esta tendência insere-se num fenómeno global, e, assim, a situação suíça não constitui um caso isolado. O relatório, que abrange dezasseis países europeus, explica que a crise resulta de vários factores. Entre eles destacam-se a concentração crescente dos fabricantes, a deslocalização da produção para a Ásia e o aumento contínuo dos custos industriais. Além disso, especialistas sublinham que o mercado helvético perdeu atratividade devido à pressão constante sobre os preços.

Ofensiva contra o regulador

Entre 2020 e 2024, o preço médio dos dez antibióticos mais essenciais diminuiu 10,4%, enquanto, simultaneamente, a inflação e os custos de produção aumentaram. Por conseguinte, muitos produtores abandonaram o mercado suíço. Assim, Ernst Niemack, director da associação farmacêutica Vips, afirma que a situação se tornou «verdadeiramente dramática», porque os preços foram comprimidos ao ponto de alguns medicamentos deixarem de existir no país.

Contudo, grande parte das críticas recai sobre o Departamento Federal de Saúde Pública (OFSP), que reavalia de três em três anos a eficácia, a adequação e a economicidade de todos os medicamentos. Esta política conduz, quase sempre, a novas reduções de preços. Ao longo dos anos, esta estratégia permitiu poupar mais de um milhar de milhões de francos, com novos cortes previstos para 2025.

Mudanças políticas e possíveis soluções

Apesar disso, o OFSP ajustou recentemente a sua abordagem e, portanto, decidiu não reduzir o preço de cinquenta e cinco medicamentos considerados vitais para garantir o abastecimento nacional. Desde 2017, o organismo afirma ter evitado duzentos cortes adicionais e contactado fabricantes que pretendiam retirar produtos, de forma a impedir novas saídas.

Mesmo assim, um possível alívio poderá surgir com o segundo pacote de medidas de controlo de custos. Assim, para medicamentos críticos, a revisão de preços poderá ser suspensa e eventuais aumentos poderão ser autorizados. O setor farmacêutico considera as medidas insuficientes, exige uma reforma profunda dos preços e pondera lançar uma iniciativa que dê mais poderes à Confederação.

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