Crédito habitação em alta: Famílias portuguesas estão a pagar 25% mais em apenas dois anos

Crédito habitação em alta: Famílias portuguesas estão a pagar 25% mais em apenas dois anos
Crédito habitação em alta: Famílias portuguesas estão a pagar 25% mais em apenas dois anos

Crédito habitação em alta: Famílias portuguesas estão a pagar 25% mais em apenas dois anos. Nos últimos anos, Portugal tem assistido a uma transformação profunda no mercado imobiliário, e, por isso, as famílias que pretendem adquirir casa enfrentam desafios cada vez maiores. Assim, devido à escalada dos preços, ao aumento do custo de vida e às dificuldades em poupar, os agregados têm sido obrigados a recorrer a empréstimos bancários mais volumosos. À medida que esta realidade se intensifica, torna-se fundamental compreender o impacto financeiro sobre a população, bem como as medidas que estão a moldar o acesso ao crédito.

O Crescimento Acentuado dos Valores Pedidos aos Bancos

Com a subida significativa do preço das habitações, as famílias portuguesas, consequentemente, precisam de pedir montantes cada vez mais elevados para financiar a compra de casa. Assim, segundo dados recentes, no terceiro trimestre de 2025, o valor médio pedido ao banco situou-se nos 176.599 euros, correspondendo a um aumento expressivo de 25% em apenas dois anos. Por outro lado, o preço médio das casas requeridas através destes pedidos também subiu abruptamente cerca de 12%, refletindo um mercado cada vez mais exigente.

Além disso, como os salários não acompanham este ritmo inflacionário, os compradores acabam por sentir uma redução marcada no rendimento disponível para poupanças. Assim, muita gente é empurrada para financiamentos maiores, já que dificilmente conseguiria acumular capital suficiente para entrada ou custear transações imobiliárias de forma autónoma.

A Influência das Taxas de Juro e Apoios aos Jovens

Ainda que os preços dos imóveis tenham subido, o custo dos juros no crédito habitação tem descido de forma considerável. Enquanto, em meados de 2023, a Euribor rondava os 4%, no verão de 2025 passou a situar-se pouco acima dos 2%. Deste modo, esta redução contribuiu para diminuir a taxa de esforço das famílias, facilitando o acesso a empréstimos de montantes superiores.

Ao mesmo tempo, os novos apoios destinados a jovens até aos 35 anos têm causado impacto direto no mercado. A isenção de IMT e a implementação da garantia pública têm permitido financiamentos até 100%, aumentando a procura. Por conseguinte, este grupo passou a representar mais de metade dos pedidos de crédito no último trimestre analisado. Além disso, muitas destas candidaturas têm surgido associadas ao primeiro imóvel, o que reforça uma dinâmica crescente de entrada no mercado habitacional.

Entretanto, estes incentivos têm surgido associados também ao agravamento do custo das casas, já que o aumento da procura resulta inevitavelmente em valorização dos imóveis disponíveis.

Menor Rendimento Médio dos Agregados Familiares

O estudo revela ainda uma tendência preocupante: apesar do crescimento dos valores financiados, o rendimento médio bruto de quem pede crédito desceu cerca de 11% para 3.088 euros mensais. Por um lado, a redução dos juros explica esta queda, porque permite que famílias com rendimentos mais baixos acedam ao crédito habitação com maior facilidade. Além disso, o afluxo de jovens em início de carreira, normalmente com remunerações mais baixas, contribui igualmente para este resultado.

Por outro lado, décadas anteriores registaram um volume significativo de estrangeiros com salários mais elevados, impulsionados por regimes como os vistos gold ou o estatuto de residente não habitual. Com o fim destes enquadramentos, a sua presença no mercado diminuiu, influenciando os valores médios.

Através destes dados, percebe-se uma alteração clara no perfil do comprador português.

A Distribuição Geográfica dos Pedidos de Crédito Habitação

Atualmente, a maior parte dos pedidos concentra-se nas regiões que apresentam preços imobiliários mais elevados. Assim, Lisboa lidera com 24% das solicitações, seguindo-se o Porto com 14%, Setúbal com 13% e Faro com 9%. Ao agruparem estas zonas densamente urbanizadas, observa-se que exercem um peso determinante na média nacional dos preços de aquisição de imóveis.

Enquanto Lisboa apresenta o valor médio de compra mais elevado do país, situando-se nos 255.974 euros, também regista o crédito pedido mais alto, atingindo 216.651 euros. Logo depois surgem distritos como Faro, Madeira e Porto, todos com montantes superiores a 180 mil euros nas solicitações de crédito e valores de compra acima dos 219 mil euros.

Em contraste, existem distritos onde os valores médios são substancialmente mais baixos, como Guarda, Castelo Branco e Bragança, nos quais o preço de aquisição é inferior a 120 mil euros e o crédito solicitado não ultrapassa os 100 mil euros. Contudo, embora mais acessíveis, estas zonas representam apenas 4% do total de pedidos, demonstrando pouca atratividade para investimento ou residência permanente.


Conclusão: Um Mercado que Exige Estratégia e Planeamento

Assim, enquanto os preços das casas continuam a subir, as famílias portuguesas enfrentam um esforço financeiro crescente para conseguir comprar um imóvel. Ainda que os juros reduzidos e os apoios aos jovens ofereçam algum alívio, estes fatores também alimentam a inflação do mercado. Consequentemente, é essencial acompanhar dados fiáveis, avaliar alternativas e planear com cautela a decisão de compra.

Portanto, o mercado imobiliário nacional encontra-se num momento de mudança e, por isso, permanecer informado é crucial para tomar decisões conscientes e sustentáveis.

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