Cirurgias milionárias geram polémica em Portugal. O dermatologista Miguel Alpalhão, do Hospital de Santa Maria, foi suspenso após receber mais de 700 mil euros em três anos de cirurgias suplementares. Embora a suspensão tenha sido inicialmente avançada pela CNN Portugal, a agência Lusa confirmou a informação e destacou que o clínico já deixou de exercer funções na unidade hospitalar. Além disso, a suspensão implica perda total de vencimento, o que reforça a gravidade do caso.
Relatório da IGAS revela práticas contestadas
De acordo com um relatório recente da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde, o médico recebeu esta quantia ao realizar cirurgias adicionais fora do horário habitual. Estas intervenções, que tinham como objetivo reduzir listas de espera, foram efetuadas durante três anos consecutivos. Contudo, o documento indica que o clínico não só participou nesses atos médicos como também, em mais de 350 ocasiões, propôs, aprovou e codificou as suas próprias cirurgias.
Consequências e impacto no hospital
Assim, a divulgação do relatório levou a administração do Hospital de Santa Maria a suspender o médico, sublinhando a necessidade de transparência numa área tão sensível como a gestão de listas de espera. Além disso, esta decisão pretende garantir confiança no sistema e evitar práticas que possam comprometer a equidade no acesso aos cuidados de saúde.
Repercussões no setor da saúde
Por conseguinte, o caso abriu um debate mais amplo sobre os mecanismos de controlo interno nos hospitais públicos. Muitos especialistas defendem agora que é urgente reforçar auditorias internas, uma vez que a confiança dos utentes depende fortemente da integridade das instituições. Este episódio, apesar de circunscrito a um profissional, poderá gerar mudanças estruturais no controlo das atividades adicionais remuneradas.


Seja o primeiro a comentar