Caos nas administrações de desemprego suíças agrava trabalho na Unia

Caos nas administrações de desemprego suíças agrava trabalho na Unia
Caos nas administrações de desemprego suíças agrava trabalho na Unia

Caos nas administrações de desemprego suíças agrava trabalho na Unia. O recente colapso informático nas câmaras de desemprego suíças continua a causar graves perturbações, e agora funcionários da caisse de chômage Unia sentem igualmente o impacto. Além dos beneficiários afectados, os colaboradores enfrentam uma pressão crescente, com documentos por processar e chamadas hostis constantes. De acordo com uma fonte interna, distribuída em vários serviços, a situação é cada vez mais insustentável.

Sistema informático novo não funciona como esperado

Em paralelo com a introdução problemática do SIPAC 2.0, o novo software promovido pelo SECO (Secretariat d’État à l’économie) que deveria agilizar o processamento de dados, foi também implementado um novo sistema de digitalização, segundo informações recolhidas. Contudo, estes sistemas não estão a funcionar correctamente, e isso está a criar uma grande confusão operacional na Unia.

Assim que os desempregados submetem documentos pelo site da Unia ou por e-mail, estes têm de ser impressos antes de serem digitalizados no novo sistema. Este processo, que deveria ser simples e automático, revelou-se lento e ineficiente, e prejudica todas as etapas subsequentes de tramitação.

Milhares de documentos ficam por digitalizar

A nossa fonte indica que muitos documentos não conseguem ser atribuídos de forma clara após a impressão, e acaba por serem eliminados ou ignorados pelo sistema informático, apesar de terem sido submetidos pelos beneficiários. Esta falha estará na origem de milhares de documentos que nunca foram processados.

“Vários desempregados foram informados de que os seus dossiês estavam incompletos, mesmo tendo enviado tudo correctamente”, relata a fonte.

Esta situação gera um efeito dominó: ao aparecerem como incompletos, os dossiês voltam a ser reenviados pelos beneficiários e isso aumenta ainda mais a carga de trabalho manual para os empregados.

Um ciclo vicioso de atrasos

Cada vez mais pessoas reenviam repetidamente os mesmos formulários, pois são informadas de que falta documentação essencial. Este processo torna-se um “círculo vicioso”, pois em vez de avançar, os pedidos retrocedem continuamente.

Enquanto isso, os funcionários tentam lidar com uma enorme pilha de papéis, grande parte dos quais ainda não digitalizada ou classificada no sistema informático. Esta sobrecarga manual já é descrita como enorme e insustentável por quem lá trabalha.

Pressão e hostilidade telefónica crescente

À medida que o atraso nos processos se prolonga, aumenta também a frustração dos beneficiários. A fonte confidencia que muitos funcionários chegam a realizar até 100 contactos telefónicos por dia, na tentativa de responder às dúvidas e queixas de desempregados cada vez mais irritados.

Durante estas chamadas intensas, insultos e confrontos verbais são frequentes, pois muitas pessoas chegam ao telefone sem qualquer informação sobre o estado do seu processo. A fonte explica que, em muitos casos, os próprios colaboradores não conseguem aceder aos dados devido às falhas técnicas, pelo que não conseguem ajudar adequadamente os desempregados.

Infelizmente, apesar das dificuldades, as linhas de atendimento não foram encerradas por completo, o que poderia aliviar os pontos de contacto com o público. A fonte argumenta que quase tudo o que é feito pelos colaboradores acaba por não ter qualquer impacto positivo para o desempregado que procura ajuda.

Doenças e respostas internas insuficientes

Os desafios psicológicos e físicos também se manifestam entre os trabalhadores. Assim, multiplicam‑se os casos de baixas médicas entre os funcionários devido à pressão e à exaustão. A fonte relata que, apesar deste clima adverso, a gestão parece tratar os problemas com insuficiente seriedade.

“Um superior disse que estava a par da situação difícil, mas que não podia alterar nada”, afirma a fonte. As queixas dos empregados, segundo o mesmo relato, teriam sido ignoradas, e no seio da equipa existe a percepção de que há uma tentativa de evitar conflitos de interesse entre a Unia e a caisse de chômage, em vez de resolver os problemas.

Esta atitude gerou críticas internas, com funcionários a considerar o comportamento do sindicato como antisocial e pouco eficaz na defesa dos seus direitos e interesses.

Situação preocupante para portugueses desempregados

Os portugueses a residir na Suíça também estão a sofrer com esta crise, pois não têm recebido os pagamentos do desemprego atempadamente. Embora compreendam que existam atrasos devido aos problemas técnicos, muitos alertam que há casos com quatro meses de atraso, o que começa a ser preocupante.

Como todos sabem, as facturas na Suíça são rígidas e chegam todos os meses, tornando a situação financeira muito difícil. Alguns desempregados relatam ter pedido ajuda a familiares e ponderam mesmo regressar a Portugal, devido à pressão económica.

Além disso, a indignação cresce entre os portugueses, já que ficar sem emprego é difícil, mas não receber o subsídio de desemprego agrava ainda mais a situação. Alguns afirmam que já começaram a acumular multas pelo não pagamento de facturas, tornando o cenário extremamente delicado.

Resposta oficial da Unia

Contactada pela imprensa, a Unia rejeitou várias das acusações avançadas. O sindicato esclareceu que a Unia e a caisse de chômage estão separadas, tanto a nível organizacional como financeiro, o que, segundo a organização, elimina qualquer potencial conflito de interesses.

Reconhecendo que a situação é pesada e representa um desafio importante, a Unia afirma que já foram feitas melhorias e que progresso concreto está em curso, com outros a serem implementados em breve. O sindicato nega que os seus colaboradores estejam a ser deixados sem apoio suficiente e destaca que mais recursos humanos foram mobilizados para lidar com os fluxos de trabalho acumulados.

Além disso, foi criada uma task force interna para tratar o feedback e as reclamações internas, assinala ainda a Unia, que acrescenta ter também reforçado a segurança física em alguns locais para proteger os funcionários.

Apesar destas medidas, a fonte interna transmite que o sentimento de frustração e de injustiça persiste entre os trabalhadores afetados pelo caos administrativo.

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