Câmara de Sernancelhe defende apoio a casas de emigrantes destruídas. A Câmara de Sernancelhe solicitou recentemente que os apoios estatais para a reconstrução de casas destruídas pelos incêndios também incluam habitações de emigrantes. Esta iniciativa surge após a destruição de sete casas de primeira habitação e de emigrantes no concelho, assim como 39 habitações devolutas, segundo revelou o presidente da Câmara, Carlos Santos.
Incêndios devastam Sernancelhe e concelhos vizinhos
O fogo que atingiu Sernancelhe teve origem em dois incêndios distintos: um começou em Sátão, no distrito de Viseu, no dia 13, e outro em Trancoso, no distrito da Guarda, no dia 9. Posteriormente, no dia 15, os dois incêndios uniram-se, afetando um total de 11 municípios dos dois distritos. Entre os concelhos atingidos encontram-se Sátão, Moimenta da Beira, Penedono e São João da Pesqueira, em Viseu, e Aguiar da Beira, Trancoso, Fornos de Algodres, Mêda, Celorico da Beira e Vila Nova de Foz Côa, na Guarda. Felizmente, o incêndio entrou em resolução pelas 22h do dia 17.
Além disso, Portugal continental enfrentou múltiplos incêndios rurais de grande dimensão durante julho e agosto, principalmente nas regiões Norte e Centro. Estes fogos provocaram quatro mortos, incluindo um bombeiro, e vários feridos, alguns em estado grave. Por conseguinte, destruíram casas de primeira e segunda habitação, explorações agrícolas, pecuárias e vastas áreas florestais.
Casas de emigrantes: uma prioridade para a Câmara
Carlos Santos defende que as habitações de emigrantes devem ser equiparadas a casas de primeira habitação. Segundo o presidente, estas casas são muitas vezes a única residência que os emigrantes possuem em Portugal. Assim, caso sejam destruídas, os emigrantes ficam sem qualquer alternativa, exceto recorrer a familiares.
Deste modo, Santos defende que o Estado deve equiparar a reconstrução de uma casa de emigrante à de uma casa de primeira habitação, sublinhando a necessidade de políticas públicas mais inclusivas.No entanto, até ao momento, ainda não está totalmente definido se os apoios do Estado cobrem estas situações.
Desafios das habitações devolutas
Para além das habitações de emigrantes, o presidente da Câmara destacou que as 39 casas devolutas representam um risco significativo para o aglomerado urbano. Como estas habitações estavam desocupadas, não existia ninguém para as proteger, o que aumentou o perigo de incêndios atingirem casas vizinhas.
Consequentemente, o município precisará de criar medidas reforçadas para incentivar a recuperação destas habitações e evitar que elas voltem a colocar em risco os moradores do concelho. É provável que a Câmara discuta este tema de forma mais aprofundada apenas depois das eleições autárquicas, marcadas para 12 de outubro.
Portugal ativa mecanismos de proteção civil
Diante da gravidade da situação, Portugal recorreu ao Mecanismo Europeu de Proteção Civil. Assim, foram disponibilizados dois aviões Fire Boss, um helicóptero Super Puma e dois aviões Canadair para apoiar o combate aos incêndios.
Segundo dados provisórios, até 23 de agosto, cerca de 250 mil hectares foram destruídos em todo o país, sendo que mais de 57 mil hectares se localizaram apenas no incêndio iniciado em Arganil. Estes números evidenciam a dimensão dos fogos e reforçam a necessidade de ações preventivas e políticas de apoio à reconstrução.
Conclusão: reconstrução e prevenção como prioridades
Em síntese, a Câmara de Sernancelhe alerta para a urgência de incluir casas de emigrantes nos apoios estatais. Ao mesmo tempo, as habitações devolutas exigem medidas preventivas para garantir a segurança das comunidades. Assim, a reconstrução e a prevenção tornam-se prioridades fundamentais para proteger vidas e património, enquanto o país continua a enfrentar os desafios dos incêndios rurais.


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