Boletim de voto com nomes inválidos, a origem do problema

Boletim de voto com nomes inválidos, a origem do problema
Boletim de voto com nomes inválidos, a origem do problema

O problema é claro e tem nome. O boletim de voto utilizado na eleição para o mais alto cargo da nação contém nomes de pessoas que já não são candidatas.

Este é o ponto de partida, concreto e verificável, de toda a crítica. Não é um detalhe técnico nem um lapso menor, é um erro estrutural num dos actos mais sérios da vida democrática.

Perante este facto, as perguntas impõem-se, directas e necessárias.

Porque não foram impressos novos boletins?

Quem decide manter nomes inválidos num documento oficial? 

Quem avalia o impacto dessa decisão no processo eleitoral? 

Quem assume a responsabilidade política e administrativa? 

Há algum responsável afastado de funções ou fica tudo entregue ao silêncio?

Como se pode levar a sério uma eleição quando quem a organiza não demonstra respeito pelo próprio acto eleitoral? 

Como exigir confiança aos cidadãos quando o instrumento básico da escolha nasce já comprometido? 

O voto é um gesto antigo, construído com esforço, memória e sacrifício, não é um papel provisório feito à pressa nem um formulário tratado com ligeireza.

O contexto agrava ainda mais a situação. São 14 os candidatos iniciais. Há 3 deles que desistem em protesto por não terem direito de antena. Esse facto, por si só, revela falhas profundas na igualdade de tratamento e no acesso à palavra pública. Mesmo assim, nada é revisto, nada é corrigido. O processo avança como se o erro fosse aceitável e a forma fosse irrelevante.

Há aqui uma banalização perigosa do rigor democrático. Quando os detalhes deixam de importar, o essencial começa a ruir. Um boletim mal feito não é apenas papel mal impresso, é um sinal de desleixo institucional e de distância entre quem decide e quem vota.

Já não há tempo para corrigir. As eleições decorrem hoje, o erro está consumado e as consequências são imediatas. Este desleixo abre a porta a votos inválidos, a confusão desnecessária e à desvalorização de um acto que deveria ser claro, simples e digno. O que resta agora não é reparar, é assumir responsabilidades, aprender para o futuro e impedir que esta falha volte a repetir-se. A democracia não morre de repente, desgasta-se assim, quando quem a gere deixa de a respeitar.

autor Quelhas

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