Bebé tirada a ferros frios do colo da mãe? A retirada a ferros frios de bebés e crianças a pais portugueses tornou-se um padrão que atravessa fronteiras, gabinetes e consciências, um acto frio, policial e administrativo, como se a infância fosse um processo e o amor um erro. É deste ponto que parte o pedido de socorro dirigido à Revista Repórter X, que recebe mães em desespero, Lesados da SUVA, famílias partidas, histórias repetidas, e que envia cartas para Lisboa, para o Governo, para o Presidente da República, recebendo em troca respostas vãs, reencaminhamentos estéreis, papéis que circulam de mão em mão sem nunca tocar a justiça.
As cartas seguem do cidadão para o Governo, do Governo para a Embaixada, da Embaixada para o Consulado, do Consulado de volta a Lisboa, e de Lisboa novamente para a Suíça, num circuito fechado e corrupto onde nada se resolve e ninguém assume, o mesmo silêncio praticado pelo Governo e pelo Presidente da República, ambos a agir da mesma forma, desviando, reenviando, ignorando. Foi esta experiência directa que levou João Carlos Quelhas a avançar como Pré-Candidato às Presidenciais de 2026, não para ganhar, mas para tentar ter voz nas televisões, voz essa que foi cortada de forma geral, num bloqueio transversal que protege o sistema e cala a denúncia.
É neste cenário que surge o relato de uma Mãe no cantão de Uri. A história começa assim, uma mãe sofre abusos e violência doméstica. Essa mãe faz denúncia à Protecção de Menores do cantão de Uri, a KESB, e vê a sua filha retirada a 25 de Janeiro de 2023, arrancada do colo materno pela polícia como se fosse uma criminosa, como se o amor fosse uma falha administrativa, quando essa criança sempre teve muito amor materno, ao contrário do pai, que não queria que ela nascesse.
Após muito sofrimento, a mãe foi abruptamente separada da filha de forma injusta. A criança foi colocada numa família de acolhimento durante 7 meses e, posteriormente, numa instituição, num período total de cerca de 3 anos. Seguiu-se a separação à força, com visitas acompanhadas à terça e à sexta-feira à tarde, com 3 horas de visita num dia e 4 horas no outro, respectivamente, sempre sob vigilância, sempre sob suspeita.
Durante essas visitas, a menina pedia desesperadamente para vir para casa, dizia que não gostava da instituição onde se encontrava, queria vir para casa constantemente e pedia isso à mãe, pedidos ignorados pela KESB. O presidente da KESB de Uri entendeu que as denúncias não seriam verdadeiras e que a mãe seria a culpada, por alegadamente dificultar as visitas com o pai, quando a mãe apenas se queria proteger da violência, ela e a sua filha.
No dia da retirada, o presidente da KESB de Uri disse à mãe que ela não era boa mãe. A mãe respondeu-lhe de forma confrontacional, dizendo que isso não era verdade, que sempre quis a filha com muito amor e carinho, que sempre a sustentou, dando inclusivamente a parte que não foi dada pelo pai, recordando que o pai pediu um aborto quando soube da gravidez, que durante cerca de 1 ano não garantiu as necessidades básicas da filha e que sempre se recusou a pagar a pensão de alimentos.
O acolhimento foi profundamente traumático. As visitas acompanhadas, o afastamento da mãe e da filha, e as posições negativas relativamente a esse afastamento marcaram o processo. Houve também o afastamento de toda a família do lado materno, incluindo a avó materna, a tia, o tio, o primo e a irmã, como se o sangue fosse um obstáculo a eliminar.
Apesar dos vários pedidos feitos através do advogado para aumentar o tempo de visita com a mãe e até passar as visitas para não supervisionadas, o presidente da KESB de Uri negou tudo isso e continuou com o afastamento da mãe e da filha. A menina permaneceu em acolhimento e depois em instituição, situação reforçada através da manipulação do presidente da KESB de Uri com perícias feitas por profissionais corruptos, que atestaram falsamente que a mãe não estaria em condições de cuidar da filha.
Foi evocada uma última perícia pela KESB de Uri, perícia que a mãe se recusou a fazer por sentir que o sistema era corrupto e que os profissionais colaborariam com uma decisão já tomada, uma perícia manipulada. Apesar disso, o presidente da KESB de Uri mandou seguir com a perícia sem o consentimento da mãe, negando-lhe um direito legal fundamental, o de escolher um perito da sua confiança de forma neutra.
A decisão seguinte foi que a menina seria entregue ao pai de forma ilegal. A mãe recorreu para o Tribunal Superior de Uri, por entender que não se tira um filho a uma boa mãe para dar a um mau pai. Em 20 de Dezembro de 2025, a mãe deslocou-se a Zurique para uma reunião com o advogado, reforçando que a perícia ordenada é ilegal e que a menina está a ser encaminhada para um pai sem capacidade de criação, com risco sério de danos psicológicos, possivelmente para toda a vida.
E a Mãe termina como começou, em luta. Afirma que vai continuar a lutar pela filha, que está a ser cometida uma injustiça no cantão de Uri, que uma menina está a sofrer injustamente, que uma mãe está a sofrer injustamente, assim como toda a sua família. Esta história não termina nas cartas enviadas nem nas respostas vãs, termina na dor de uma mãe que acusa directamente a KESB, acusa o pai, acusa a Embaixada e o Consulado pela omissão, acusa o Governo e o Presidente da República por agirem da mesma forma, e escreve, porque enquanto houver escrita, a injustiça não dorme.
Nota de rodapé
Através da Revista Repórter X, Victor e Carla participaram e foram voz activa de todos os Lesados e todas as mães que perderam crianças para a KESB, numa reunião onde esteve o deputado do Chega, José Dias Fernandes, a representação do Governo Português através do ex. Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, bem como a representação do Consulado-Geral de Portugal em Zurique e da Embaixada de Portugal em Berna, reunião essa que teve lugar na Comissão de Pais de Arbon. Mais tarde a Carla em representação das mães, convocada pela Revista Repórter X foi à Assembleia da República, no entanto os Lesados ficaram esquecidos, mas num tema a seguir já falamos neles, porque a Repórter X não os esqueceu e continua a dar voz!
Brevemente, a Revista Repórter X pretende trazer à Suíça os dois deputados pela Europa, José Dias Fernandes e Carlos Gonçalves, um do CHEGA e outro do PSD, sendo este último deputado do partido que governa a nação neste momento. Ambos manifestaram interesse em vir ouvir as mães a quem foram retirados os filhos, bem como os Lesados da SUVA.
Para esse efeito, está em curso a recolha de documentação enviada aos deputados, para assim ir a apresentar na Assembleia da República, ou se quisermos no Parlamento, ao José Aguiar-Branco, com o objectivo de dar conhecimento a todos os deputados e obter autorização para uma nova deslocação à Suíça, na qual serão convocadas outras instituições e, muito provavelmente, novamente o Consulado e a Embaixada.
Refira-se ainda que ambos os deputados afirmaram que estes problemas estão em primeiro lugar sob a alçada do Cônsul e do Embaixador, mas estes declinam e dizem não ter poder efectivo. Chegou entretanto ao conhecimento da Revista Repórter X que o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, terá proibido os diplomatas de prosseguir na defesa activa dos emigrantes, em nome do bom relacionamento com a Suíça. A ser verdade, este senhor deveria arrumar as botas da tropa e ir dar advocacia, talvez não esteja no lugar certo, nem deve saber o que é ser pai!? Quanto ao Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, está em silêncio a invernar, mantém-se calado, porque sentados na cadeira do poder não se resolvem os problemas dos emigrantes, talvez sentados estejam apenas a estudar novas formas de lhes cobrar impostos, e nada mais.
autor: João Carlos Quelhas


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