Aldi dispara cortes agressivos nos preços e é muito criticada

Aldi dispara cortes agressivos nos preços e é muito criticada
Aldi dispara cortes agressivos nos preços e é muito criticada

Aldi Suisse lança cortes agressivos que desencadeiam reações fortes no retalho. A carne e o pão ficam muito mais baratos, mas a tensão aumenta no setor agrícola.


Mercado em convulsão

Aldi dispara cortes agressivos nos preços e é muito criticada. O mercado alimentar suíço atravessa uma transformação intensa, sobretudo porque Aldi Suisse decidiu, ainda em setembro de 2024, reduzir drasticamente os preços da carne fresca. Assim, esta iniciativa atingiu rapidamente quebras até 36%, abalando todo o setor. Além disso, a medida abriu caminho a uma sucessão de respostas dos principais concorrentes, que sentiram a necessidade de acompanhar esta dinâmica para não perder quota de mercado.

Desde esse momento, e por consequência direta, Migros, Coop, Lidl e outros comerciantes iniciaram uma corrida para garantir aos consumidores valores cada vez mais reduzidos. A pressão acelerou o ritmo de descidas, sobretudo no segmento das carnes e do pão, que se tornaram símbolos desta nova guerra comercial.

Ao mesmo tempo, e devido às margens estreitas, as críticas começaram a surgir, especialmente das organizações agrícolas, que denunciam a crescente desvalorização dos produtos suíços.


Reações imediatas no retalho

A partir de outubro de 2024, Migros comunicou a intenção de alinhar cerca de mil artigos com os preços praticados pelos discounters. Esta decisão, portanto, representou um marco significativo, já que reforçou a tendência para uma competição baseada quase exclusivamente em valores mínimos.

Pouco tempo depois, e já em abril, a cadeia holandesa Action reforçou a pressão ao abrir a sua primeira loja na Suíça com uma promessa clara: preços imbatíveis. Assim, esta entrada no mercado intensificou ainda mais a luta por cada cêntimo, fazendo com que os consumidores encontrassem ofertas extremamente competitivas.

Em junho, foi Coop quem anunciou reduções em mais de mil produtos de supermercado desde o início do ano, confirmando que o retalho suíço estava totalmente mergulhado numa guerra de preços sem precedentes.

Em outubro, Aldi cortou novamente, desta vez no pão de 500 gramas, que passou a custar apenas 99 cêntimos. Consequentemente, os concorrentes seguiram a mesma estratégia. Logo depois, em novembro, Aldi voltou a surpreender com cortes adicionais de até 30% em vários pedaços de carne.


Contestação crescente dos produtores

Embora estas descidas agradem ao consumidor, as reações dos produtores agrícolas e dos transformadores não tardaram. Assim, o presidente da Federação dos Meuniers Suíços classificou como “vergonhoso” o valor de 99 cêntimos por meio quilo de pão. Além disso, várias padarias optaram por afixar cartazes com a mensagem “Melhor que 99 cêntimos”, numa tentativa de valorizar o seu trabalho artesanal.

Durante a assembleia da União Suíça dos Agricultores, o presidente Markus Ritter criticou de forma veemente a tendência para preços tão baixos. A organização pediu, portanto, o fim do “dumping” alimentar e sublinhou que esta pressão excessiva ameaça a sustentabilidade da produção agrícola.

De forma inédita, a crítica foi direcionada de forma explícita a Aldi, acusada de ser a principal responsável pela corrida às reduções. Segundo a USP, Lidl, Migros, Denner e Coop apenas acompanham a tendência imposta pelo discounter.

“Aldi ultrapassou claramente todos os limites”, reforçou Martin Rufer, diretor da USP, sublinhando que a redução dos valores em toda a gama de carnes afeta seriamente os produtores.


Lidl distancia-se de Aldi

A tensão aumentou ainda mais quando a própria Lidl decidiu criticar publicamente a estratégia da sua concorrente. Assim, em comunicado oficial, Lidl concordou com as preocupações dos agricultores e afirmou que evita desencadear guerras de preços em segmentos sensíveis como carne ou pão.

Trata-se de uma posição rara no setor, onde as críticas abertas entre retalhistas são pouco habituais. Esta reação evidencia claramente a dimensão inédita da situação, sublinhando a magnitude das mudanças no mercado suíço.

O diretor de Aldi defendeu-se, afirmando que a missão do discounter é garantir preços baixos aos consumidores e que os produtores continuam a receber os mesmos valores. Contudo, a perceção geral do setor mostra que a pressão sobre a cadeia de abastecimento está a aumentar.


Outros retalhistas também apertam fornecedores

A guerra de preços não se limita a Aldi. No verão, Coop tentou introduzir um sistema de “bónus” que penalizaria alguns produtores, obrigando-os a entregar até 3% do seu volume de negócios como forma de desconto adicional. A associação Marchés Équitables Suisse criticou duramente esta prática e apresentou queixa à autoridade da concorrência. Por consequência, Coop acabou por recuar.

Migros também reforçou a sua política de compra, contratando um responsável oriundo do competitivo mercado alemão. Este movimento pretende centralizar aquisições e aumentar o poder negocial, algo que preocupa os fornecedores que receiam práticas agressivas.


Consumidores beneficiam, produção mantém equilíbrio

Os efeitos no consumidor são evidentes. Assim, os preços de legumes frescos registaram os valores mais baixos desde 2020, enquanto a carne de porco e de aves também está mais barata.

Contudo, e de forma surpreendente, os produtores agrícolas ainda não registam perdas. Pelo contrário, o índice de preços à produção aumentou em 2024 pelo nono ano consecutivo. Além disso, as projeções para 2025 apontam para um aumento significativo do valor acrescentado bruto na agricultura, estimado em cinco mil milhões de francos.

Apesar disso, os casos de pressão sobre fornecedores estão a aumentar, sobretudo no setor hortícola, com vários dossiês já sob análise que poderão chegar à Comissão da Concorrência.


Conclusão

A guerra de preços beneficia, antes de mais, os consumidores, que agora encontram carne, legumes e pão a valores muito mais acessíveis. Contudo, o impacto estrutural no mercado suíço permanece incerto. A concentração crescente e a pressão sobre pequenos produtores revelam riscos que podem transformar o equilíbrio agrícola no futuro. Ainda assim, a maioria dos profissionais insiste que o verdadeiro desafio passa por garantir preços justos em toda a cadeia.

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