Adiar a entrega da declaração de impostos custa caro e milhões vão para o Estado

Adiar a entrega da declaração de impostos custa caro milhões vão para o Estado
Adiar a entrega da declaração de impostos custa caro milhões vão para o Estado

Adiar a entrega da declaração de Impostos custa caro e milhões vão para o Estado. Adiar a entrega da declaração de impostos pode parecer inofensivo, mas, na verdade, representa um contributo financeiro significativo para os cofres do Estado. De facto, ao prolongar o prazo de entrega, muitos contribuintes acabam por pagar taxas adicionais que, somadas, rendem milhões às autoridades fiscais todos os anos.

Declarar os impostos a tempo continua a ser um desafio

Embora o preenchimento da declaração de impostos nunca seja uma tarefa agradável, muitos cidadãos tentam adiá-lo ao máximo. Além disso, o curto espaço de tempo entre a receção dos documentos fiscais e a data limite de entrega – normalmente em março – revela-se, por vezes, insuficiente. Por esse motivo, cada vez mais contribuintes optam por solicitar um prolongamento de prazo.

Por exemplo, no cantão de Berna, mais de metade dos contribuintes pediram um adiamento no ano fiscal de 2023. Convém referir que, há apenas cinco anos, este número rondava os 286 mil pedidos. No entanto, em 2023, esse número aumentou para 362 mil. Como resultado direto, as taxas cobradas por estes adiamentos renderam ao Estado de Berna cerca de 2,3 milhões de francos, segundo dados divulgados pelo jornal Berner Zeitung.

Lembretes e juros aumentam ainda mais os lucros do Estado

Para além das taxas de prorrogação, importa notar que os avisos enviados a quem entrega a declaração fora de prazo também geram receitas adicionais. Efetivamente, cerca de 15% dos contribuintes em Berne são alvo de notificações de atraso. Só em 2023, foram emitidos mais de 100 mil avisos, que renderam 4,9 milhões de francos às autoridades fiscais.

Como se isso não bastasse, os juros de mora também contribuem fortemente para os ganhos do Estado. Com uma taxa de juro de 4%, o cantão de Berna arrecadou mais de 24 milhões de francos em 2024, apenas em pagamentos em atraso de impostos. Assim, torna-se evidente que os atrasos são, acima de tudo, altamente rentáveis para os cofres públicos.

Prolongar o prazo pode ou não ter custos, consoante o cantão

Na região francófona da Suíça, a situação varia de cantão para cantão. Por exemplo, no cantão de Vaud, é possível pedir um adiamento sem custos até 30 de setembro. Contudo, no cantão de Friburgo, cada prolongamento custa 20 francos. De acordo com Alain Mauron, administrador do Serviço Cantonal de Contribuições, esse valor traduziu-se em 1,4 milhões de francos nos registos contabilísticos de 2024.

Além disso, Mauron acrescenta que os juros moratórios, aplicáveis tanto a pessoas singulares como a empresas, renderam 7,8 milhões de francos ao cantão. Logo, mesmo uma simples prorrogação de prazo pode ter um impacto financeiro considerável – não apenas para os contribuintes, mas sobretudo para o Estado.

Genebra: quanto mais tempo se adia, mais se paga

No cantão de Genebra, os custos com prorrogações aumentaram também significativamente. Em 2023, os pedidos de adiamento renderam mais de 4 milhões de francos às autoridades fiscais. Aqui, os contribuintes têm de pagar 20 francos para adiar a entrega em até 3 meses, 40 francos para um atraso até 5 meses e 60 francos para mais de 5 meses.

Embora o número de prorrogações tenha vindo a crescer, Alain Mauron explica que tal se deve, em parte, ao aumento do número de contribuintes. Além disso, como o pedido de prorrogação pode ser feito sem justificação, basta pagar a taxa para garantir mais tempo, o que facilita ainda mais a decisão de adiar.

Atrasos podem resultar em multas até 10 mil francos

Contudo, há consequências mais graves para quem simplesmente não entrega a declaração. Só no cantão de Berna, entre 29 mil e 30 mil declarações ficaram por entregar nos últimos quatro anos. Este cenário pode dever-se a negligência, desorganização ou mesmo resistência ativa em pagar impostos. Independentemente do motivo, o incumprimento pode sair muito caro.

Na verdade, a multa por não entrega pode atingir os 10 mil francos. Em Friburgo, por exemplo, 12.204 contribuintes foram multados em 2023 por não apresentarem a sua declaração. Já em 2024, esse número baixou ligeiramente para 11.694. No entanto, o problema continua a ser significativo.

Atualmente, o cantão de Friburgo ainda aguarda a entrega de 52.300 declarações referentes ao ano fiscal de 2024, no que respeita apenas a pessoas singulares. Em Genebra, o número é ainda mais impressionante: faltam 98 mil declarações, num universo de mais de 365.300 contribuintes.

Evitar atrasos é a melhor forma de poupar dinheiro

Tendo em conta os dados acima, é fácil concluir que adiar a entrega da declaração de impostos pode sair bastante caro. Desde taxas de prorrogação, passando por lembretes pagos, até juros de mora e multas pesadas, o contribuinte arrisca-se a pagar centenas – ou mesmo milhares – de francos desnecessariamente.

Portanto, a melhor estratégia é simples: preencher e submeter a declaração dentro do prazo estipulado. Esta atitude não só evita encargos adicionais, como também contribui para uma melhor organização financeira pessoal.

Conclusão: adiar custa – e o Estado agradece

Em resumo, embora a prorrogação do prazo possa parecer uma solução conveniente a curto prazo, ela tem custos reais e elevados. Além disso, os números revelam um sistema altamente lucrativo para os governos cantonais. Por isso, se queres evitar perdas financeiras, a melhor solução é cumprir o calendário fiscal. Afinal, cada dia de atraso é mais uma oportunidade para o Estado arrecadar milhões – à tua custa.

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