A nova geração de emigrantes portugueses: Retrato atual da diáspora que impulsiona Portugal

A nova geração de emigrantes portugueses: Retrato atual da diáspora que impulsiona Portugal
A nova geração de emigrantes portugueses: Retrato atual da diáspora que impulsiona Portugal

A nova geração de emigrantes portugueses: Retrato atual da diáspora que impulsiona Portugal. A diáspora portuguesa tem hoje um papel cada vez mais relevante na economia e na projeção internacional do país. Um estudo recente, conduzido pelo professor António Azevedo, da Universidade do Minho, revela um retrato atualizado do emigrante português e evidencia o impacto crescente das comunidades no estrangeiro. A investigação, intitulada “Diáspora Portuguesa e as Relações com os Territórios”, foi apresentada na mais recente edição do PORTUGAL+, realizada no Luxemburgo, e resulta de dois anos de pesquisa intensiva sobre mais de duas centenas de cidadãos lusos radicados fora do país.

Um estudo inovador sobre o novo perfil do emigrante português

Segundo dados do Observatório da Emigração Portuguesa, recolhidos pelo ISCTE em 2022, Portugal ocupa o 32.º lugar mundial em número de cidadãos emigrados, totalizando 2,1 milhões de pessoas. Além disso, é a 17.ª nação com maior proporção entre imigrantes e população residente, um dado que reforça a importância da mobilidade portuguesa no contexto global.

Apesar disso, existe ainda pouca investigação académica que explore o contributo direto das comunidades emigradas para o turismo e a economia nacional. Foi precisamente essa lacuna que motivou o professor António Azevedo, em parceria com o jornal BOM DIA, a iniciar, em 2023, um estudo detalhado sobre os laços entre a diáspora e o desenvolvimento local.

O investigador sublinha que a equipa quis “ir além dos números”, procurando compreender as motivações, os hábitos de consumo e o papel económico dos emigrantes portugueses. Além de viajarem frequentemente a Portugal, estes cidadãos investem, consomem e promovem a marca nacional nos países onde vivem, funcionando como verdadeiros embaixadores da identidade portuguesa.

Motivações, hábitos e conexões com o país de origem

Os dados recolhidos através de um inquérito online com 234 participantes revelam, assim, tendências consistentes e reveladoras. Além disso, cerca de 76% dos inquiridos nasceram em Portugal, enquanto 73% mantêm fluência na língua portuguesa, evidenciando uma forte ligação cultural. Por outro lado, mais de metade frequentou o Ensino Superior, o que demonstra um nível elevado de qualificação. Ademais, a idade média situa-se nos 44 anos, uma faixa etária que combina maturidade com estabilidade profissional, reforçando o perfil de emigrante preparado e adaptável.

A grande maioria dos participantes vive no Luxemburgo há cerca de duas décadas. Além disso, afirma estar altamente integrada, atribuindo 8 pontos numa escala de 0 a 10 ao nível de integração.

Quando foram questionados sobre as razões da emigração, 34,6% responderam que saíram de Portugal para melhorar os rendimentos. Por outro lado, 20,9% disseram ter emigrado para reunir-se com familiares. Ademais, 12,4% optaram pela emigração com o objetivo de progredir academicamente ou profissionalmente.

As viagens a Portugal continuam a desempenhar um papel central na vida destes emigrantes. A principal razão para regressar temporariamente é visitar familiares e amigos, seguindo-se o turismo de verão, as festas tradicionais, o Natal e a Páscoa. Além disso, muitos aproveitam a estadia para resolver assuntos burocráticos ou realizar compras.

Normalmente, os emigrantes viajam duas vezes por ano e permanecem entre 9 e 25 dias em território nacional. Durante essas visitas, 53% ficam em casa de familiares, 37,2% em casa própria e cerca de 6% recorrem a unidades hoteleiras. Em média, gastam entre 106 e 300 euros por dia, valor que é sobretudo aplicado em restauração, vestuário, eletrónica e lazer. Estes números revelam a importância económica direta da diáspora portuguesa no setor do turismo e comércio local.

Ose migrantes como embaixadores da “marca Portugal”

O estudo reforça, assim, que nenhum outro grupo promove Portugal de forma tão eficaz quanto os emigrantes. Além disso, quando foram questionados sobre os aspetos que mais valorizam e divulgam junto dos estrangeiros, 47% destacaram o clima, 14,5% referiram o mar, 13,7% salientaram a gastronomia e 12,4% enfatizaram o espírito acolhedor dos portugueses.

Por outro lado, estes dados revelam que os emigrantes não apenas viajam, mas atuam como verdadeiros embaixadores culturais, promovendo a imagem do país e fortalecendo a ligação entre Portugal e as comunidades internacionais.

Estas perceções demonstram como os emigrantes constroem uma imagem positiva do país, contribuindo ativamente para o fortalecimento da “marca Portugal” no estrangeiro. No entanto, nem tudo é motivo de orgulho. Cerca de 29% dos inquiridos apontam como principais desvantagens os baixos salários, enquanto 15% criticam a desorganização político-administrativa e 10% referem dificuldades de acesso ao Serviço Nacional de Saúde.

Mesmo assim, o sentimento predominante é o de orgulho e ligação afetiva. Muitos planeiam regressar a Portugal após a aposentação e 15 a 35% consideram abrir um negócio próprio. Assim, além de representarem um elo emocional, os emigrantes surgem também como potenciais investidores e criadores de emprego no futuro.

Um retrato da diáspora moderna: Conectada, qualificada e orgulhosa

De acordo com o professor António Azevedo, este estudo será repetido periodicamente para criar uma amostra representativa por país de acolhimento. Contudo, os resultados atuais já permitem delinear um perfil-tipo do emigrante português contemporâneo:

Ele ou ela tem 44 anos, é licenciado, fluente em línguas, vive fora de Portugal desde 2004, sente-se integrado e satisfeito com a decisão de emigrar e mantém uma ligação emocional e económica ao país de origem.

Além disso, viaja regularmente, gasta em média centenas de euros por dia durante as férias em Portugal e partilha ativamente a cultura portuguesa no estrangeiro. Este emigrante vê-se como um elo vital entre Portugal e o mundo, desempenhando um papel crucial na divulgação do país, no turismo e na economia nacional.

Em suma, a nova geração de emigrantes portugueses não é apenas quem parte, mas também quem investe, regressa e promove. É um grupo dinâmico, instruído e orgulhoso das suas origens, que continua a construir pontes entre Portugal e o futuro.

A pesquisa de António Azevedo confirma que a diáspora portuguesa é uma força viva e estratégica. Ao compreender melhor o seu perfil, o país poderá desenvolver políticas mais eficazes para estimular o regresso, o investimento e a promoção internacional.

Num mundo globalizado, onde a mobilidade é cada vez mais comum, os emigrantes portugueses provam que as raízes podem estender-se além-fronteiras sem perder a força.

“Portugal cresce não só pelo que produz, mas também pelo que os seus filhos espalhados pelo mundo continuam a representar.”

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