A democracia que teme o voto dos seus cidadãos, dia 18 nas presidenciais

Somos tratados pelo governo português, há mais de cinquenta anos, como os curdos são tratados pela Turquia no Curdistão.

Entre a abstenção crónica e o bloqueio sistemático do voto electrónico, assiste-se à segregação dos emigrantes portugueses espalhados pelo mundo.

Desde o 25 de Abril de 1974, Portugal proclama-se uma democracia plena.

Uma democracia que afirma assentar na participação cívica, no voto livre e na soberania popular.

Mas há uma verdade incómoda que atravessa todos os governos, de esquerda e de direita, com especial responsabilidade daqueles que mais tempo governaram.

Nunca houve uma vontade política séria de garantir que todos os portugueses votem.

Ao longo de mais de cinquenta anos de democracia, nenhum governo teve a coragem de assumir, como prioridade nacional, a participação eleitoral.

Nunca existiram campanhas sérias, contínuas e estruturadas de incentivo ao voto.

Nunca existiu uma verdadeira política de Estado que tratasse o voto como dever cívico fundamental.

Pelo contrário, a abstenção foi sendo normalizada, tolerada e, em muitos casos, convenientemente aceite.

Para os portugueses residentes no estrangeiro, esta realidade é ainda mais grave.

Em vez de remover obstáculos, os sucessivos governos criaram barreiras intencionais para impedir o voto dos emigrantes.

Em vez de facilitar, complicaram.

Em vez de confiar, desconfiaram.

Desconfiaram dos emigrantes porque projectam neles a sua própria falta de seriedade.

Não acreditam que os emigrantes sejam mais responsáveis do que os próprios políticos.

O exemplo mais claro dessa desconfiança é o bloqueio sistemático do voto electrónico.

Em pleno século XXI, quando os portugueses entregam declarações fiscais online, tratam de processos judiciais, acedem a serviços bancários e comunicam com o Estado por via digital, dizem-nos que não é seguro votar electronicamente.

Essa desculpa não cola.

Não cola porque outros países democráticos avançaram sem medo.

O voto electrónico nunca avançou porque o sistema teme perder o controlo.

Como afirmaram Miguel Sousa Tavares e Miguel Poiares Maduro, dar pleno direito de voto aos emigrantes implica o risco de estes influenciarem decisivamente o poder.

Temem o voto dos emigrantes.

Temem o voto dos jovens.

Temem o voto de quem está longe do aparelho do Estado e dos seus circuitos de influência.

A verdade é simples.

Quanto menos portugueses votarem, mais confortável se mantém o poder instalado.

Desde o 25 de Abril, o discurso repete-se, faltam garantias, é preciso estudar melhor.

Década após década, o estudo serve de desculpa e a exclusão torna-se regra.

Uma democracia saudável e madura não tem medo do voto.

Uma democracia forte promove a participação.

Uma democracia verdadeira confia nos seus cidadãos.

O que temos tido é o inverso.

Governos que evocam Abril, criticam Salazar, mas governam com a mesma desconfiança do seu povo.

Chegou o tempo de dizer basta à hipocrisia democrática.

Basta a um sistema que se alimenta da abstenção.

Basta a governos que invocam o 25 de Abril, mas recusam aprofundar a democracia.

Sem participação não há verdadeira democracia.

Sem voto acessível não há igualdade cívica.

Enquanto o voto electrónico continuar bloqueado por conveniência política, Portugal continuará a falhar um dos princípios mais básicos de Abril, dar voz a todos os portugueses.

Para terminar, não posso deixar de afirmar com frontalidade.

A democracia em Portugal está refém de um sistema mafioso, controlado por mafiosos de cravo vermelho ao peito, que sequestraram o país, sequestraram a democracia e sufocaram milhões de portugueses espalhados pelo mundo, retirando-lhes o direito de votar.

Viva a ditadura disfarçada de democracia.

Esperamos que um dia uma verdadeira revolução devolva ao povo aquilo que lhe foi roubado.

Somente o CHEGA poderá romper este ciclo e provocar a verdadeira ruptura democrática.

Viva Portugal.

Deputado pelo Círculo Eleitoral da Emigração

José Dias Fernandes.

Ouça o Vídeo 

Revista Repórter X / Repórter Editora

Seja o primeiro a comentar

Deixe seu comentário