Há notícias que nos fazem parar um pouco. Esta foi uma delas. Ao ler sobre a ajuda enviada do Luxemburgo para Portugal, senti que ainda há gestos que restauram a confiança nas pessoas.
Em poucas semanas, empresários portugueses e luxemburgueses juntaram-se para fazer chegar materiais de construção, ferramentas e vestuário de proteção às zonas mais afetadas pelas tempestades. No total, seguiram quatro viagens com camiões carregados, que transportaram mais de 100 toneladas de ajuda, avaliadas em mais de 200 mil euros.
Uma corrente de ajuda real
O que mais me impressiona nesta história não é apenas o valor da ajuda. É a forma como ela nasceu de uma mobilização rápida e genuína. Num tempo em que tantas vezes se fala de indiferença, ver esta resposta solidária deixa-me com a sensação de que nem tudo está perdido.
Orlando Pinto, responsável da Sopinor, acompanhou pessoalmente a entrega dos materiais em todas as viagens. Esse detalhe diz muito. Não se tratou apenas de doar e seguir em frente. Houve presença, acompanhamento e compromisso com quem precisava mesmo de apoio.
As entregas chegaram a concelhos como Ansião, Ourém e Marinha Grande, três dos locais mais afetados. Agora, caberá às autarquias distribuir os materiais pelos casos mais urgentes. Na minha opinião, esta ligação entre quem doa e quem conhece o terreno faz toda a diferença.
Quando a ajuda ganha rosto
O momento mais marcante desta história foi, para mim, o relato de uma senhora idosa e doente, em Pousaflores, Ansião. Parte da ajuda servirá para reconstruir a sua casa, que já estava em más condições antes da tempestade.
Quando lhe contaram que iria receber apoio, respondeu: “Chegou um Deus”. É impossível ficar indiferente a uma frase destas. Há expressões que dizem tudo sem precisar de mais nada.
Este episódio mostra que a solidariedade não se mede só em toneladas ou euros. Mede-se no alívio concreto que leva à vida de alguém.
A fase seguinte da missão
Outro ponto que me parece admirável é que esta campanha não ficou pelo envio de materiais. Orlando Pinto percebeu que a prioridade mudou. Agora, mais do que bens, falta mão de obra.
Por isso, uma equipa da Sopinor no Algarve vai ajudar na reconstrução de uma das casas afetadas. Acho este passo especialmente importante, porque revela uma solidariedade prática, daquelas que arregaçam as mangas e ficam no terreno.
No fim, o que retiro desta história é simples: a solidariedade continua a ser uma das maiores forças humanas. E, às vezes, vem de longe para reconstruir o que parecia perdido.
Fonte: notícia do Contacto sobre a campanha solidária da Sopinor e da CCILL para apoiar vítimas das tempestades em Portugal.


Seja o primeiro a comentar