Conversa de café; casos de relatos sobre protecção de menores

Conversa de café; casos de relatos sobre protecção de menores
Conversa de café; casos de relatos sobre protecção de menores

Havia já algum tempo que Maria e Manuel não se encontravam. Depois de ler na Revista Repórter X sobre situações de crianças retiradas aos pais pela KESB, decidiram sentar-se num café, tomar um café quente e pôr-se em dia, trocando memórias, angústias e esperanças.

Maria: Bom dia… Há uns tempos convivi com a Daniela e as filhas no Gândara, peguei muitas vezes a mais pequenina ao colo… sempre achei a Daniela uma mãe protetora. Quando tirava fotos com as meninas, pedia para não pôr no Facebook.

O que é feito das crianças?

Manuel: Estão com esse homem desconhecido que pediu a guarda delas e expulsou a mãe e um filho de casa.

Maria: É uma injustiça. Um homem que não lhes pertencia, manipulador, que expulsou a mãe e um filho para ficar com duas meninas… se não tivesse más intenções, não teria feito isso.

Sempre achei que a mãe era esforçada, protetora… as filhas andavam sempre limpas, cuidadas, com amor.

Manuel: Lamentável. Há tantos casos assim… vi outro recentemente, um casal que perdeu os quatro filhos, penso que na Suíça francesa.

Duas mães que abandonaram a Suíça, e a KESB não lhes deitou a mão… não são casos insólitos!

Maria: Em 2010, meu marido, em Näfels, no Cantão de Glarus, levou um tiro. Estávamos na fazenda… a bala veio da montanha, entrou fraca e ficou. Foi operado, teve complicações com bactérias, quase morreu.

Um pulmão infetado, vários internamentos, depois nova operação.

Manuel: Apareceram culpados?

Maria: Não… ou não interessou a ninguém. Mais tarde ouvimos dizer que foi um miúdo ainda preso, que tinha levado a carabina do pai… nunca soubemos a verdade.

Manuel: Pois, a Suíça omite o que não quer passar para o exterior. O teu marido tinha seguro de protecção de vida com direito a advogado, certo?

Maria: Sim, recorreu a um advogado em Glarus, acompanhou-o um senhor do sindicato, o Luis… advogado muito atencioso.

Deveriam pagar-lhe o restante dos 80% que recebia… mas não pagaram! Passou o tempo, voltou, quis recorrer outra vez, mas nada foi entregue. Nunca recebeu um tostão.

A Suíça tem leis feitas para quem não tem sorte…

Viemos embora. Infelizmente, em Novembro, descobriram cancro no tronco cervical. Não podia ser mexido, esteve muito mal.

A biópsia abriu-lhe a cabeça toda… andou dois anos com andarilho, radioterapia, quimioterapia… agora parou de medrar, graças a Deus.

Vamos vivendo um dia de cada vez, a aproveitar a vida.

Que se continue a luta pelos pais a quem tiram os filhos sem necessidade… e por delitos como os nossos, que a Suíça não assumiu.

Com o dinheiro que pagam às instituições, ajudem os pais a que as crianças sejam felizes ao voltarem para casa.

O meu marido foi muito bem tratado no hospital, deixavam-me estar com ele praticamente todo o dia… tenho de agradecer à Suíça, excepto por não terem encontrado culpados, não comunicarem o veredicto e não pagarem indemnização numa causa em que fomos inocentes e indefesos.

Hoje temos uma vida melhor na pensão, porque a vida em Portugal é mais barata.

Revista Repórter X / Repórter Editora

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